É nos meses de Verão que se podem observar melhor as borboletas, de Norte a Sul de Portugal. Patrícia Garcia Pereira, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sugere-lhe e descreve cinco espécies que vai poder procurar, durante os longos dias de sol.

 

Zebra

Iphiclides feisthamelii, Família Papilionidae

 

Borboleta-zebra. Foto: ®Frank Pennekamp

Borboleta-zebra. Foto: ®Frank Pennekamp

 

Uma borboleta grande e vistosa, fácil de observar tanto no campo como na cidade. O nome comum refere-se às riscas pretas que tem nas asas, formando um padrão listado em voo. As fêmeas colocam os ovos numa grande diversidade de árvores, tanto silvestres (como o abrunheiro ou catapereiro), como árvores de fruto dos pomares, como pereiras, macieiras e pessegueiros. Os ovos são colocados individualmente e as lagartas têm um desenvolvimento lento, não causando por isso grandes danos às plantas hospedeiras.

Envergadura: 55 – 80 mm

Distribuição mundial: Norte de África, Península Ibérica e Sudoeste de França

 

Preta-zigzag

Hipparchia fidia, Família Nymphalidae (subfamília Satyrinae)

 

Borboleta-preta-zigzag (Hipparchia fidia). Foto: ®Albano Soares

Borboleta-preta-zigzag (Hipparchia fidia). Foto: ®Albano Soares

 

Uma espécie que só voa nos meses de Verão, em áreas de bosques e florestas com clima mais mediterrânico do país. Como todas as borboletas desta subfamília, as posturas são feitas em gramíneas (plantas da família Poaceae). São muitas vezes observadas pousadas nos troncos das árvores, sendo fácil tirar boas fotografias.

Envergadura: 48 – 56 mm

Distribuição mundial: Norte de África e sudoeste da Europa

 

Maravilha

Colias croceus, Família Pieridae

 

Maravilha (Colias crocea ). Foto: ®Albano Soares

Maravilha (Colias crocea ). Foto: ®Albano Soares

 

É uma borboleta muito difícil de fotografar porque tem um voo errante e rápido. É raro observá-la pousada a libar nas flores, ou seja, a alimentar-se do néctar. É uma espécie típica de prados e campos cultivados. As fêmeas podem ter duas formas, uma com coloração amarelo torrado (como os machos) e outra esbranquiçada, que se dá o nome de forma helice. Os ovos são colocados em plantas da família Fabaceae (as antigas leguminosas), como trevos e luzernas.

Envergadura: 45 – 55 mm

Distribuição mundial: Norte de África, Europa Central e do Sul, Norte da Europa (migradora) e Ásia

 

Borboleta-do-medronheiro

Charaxes jasius, Família Nymphalidae

 

Borboleta-do-medronheiro (Charaxes jasius). Foto: ®Paulo Rodrigues

Borboleta-do-medronheiro (Charaxes jasius). Foto: ®Paulo Rodrigues

 

De origem africana, a borboleta do medronheiro é a espécie diurnal com maior envergadura a voar na Europa. Tal como o nome indica, só faz posturas em medronheiros, pelo que a sua abundância e distribuição estão muito relacionadas com a ocorrência desta planta. Muito comum em quase todo o país, especialmente no Algarve ou na área de Lisboa (por exemplo, em Monsanto).

Envergadura: 65 – 80 mm

Distribuição mundial: Mediterrâneo, África do norte e tropical

 

Azul-celeste

Celastrina argiolus, Família Lycaenidae

 

Borboleta-azul-celeste (Celastrina argiolus). Foto: ®Albano Soares

Borboleta-azul-celeste (Celastrina argiolus). Foto: ®Albano Soares

 

Esta pequena borboleta de um azul muito especial é típica de áreas com alguma humidade, aparecendo quase sempre, e em todo o país, a voar ao pé das sebes e da vegetação das margens dos cursos de água. Pode fazer posturas em diversas plantas, como em silvas, mas também tojos, heras, azevinho, etc.

Envergadura: 24 – 28 mm

Distribuição mundial: Norte de África, Europa, Ásia e América do Norte