Fotos e ilustrações: Vestígios

Guarda-rios, rosmaninhos e amoras no caminho de Água Formosa

Correspondentes

Os correspondentes da Wilder, Cláudia e Vítor, caminharam seis quilómetros na zona da aldeia de Água Formosa, uma das Aldeias de Xisto, por antigos trilhos de moleiros, por entre salgueiros e choupos, ao som das aves e com amoras silvestres para adoçar o percurso.

 

 

A aldeia de Água Formosa é talvez uma das mais antigas do concelho de Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco. A Ribeira da Galega atravessa a aldeia e ajuda na produção agrícola das suas gentes. Com as ruas estreitas e as casas tradicionalmente feitas de xisto, esta povoação faz parte da rede “Aldeias de Xisto”. O espaço é agradável e silencioso.

Iniciámos o percurso por um caminho calcetado e continuamos a andar pelo que outrora foram os trilhos de moleiros e agricultores da zona. Por entre as árvores e a ribeira que por esta altura do ano se encontra seca em grande parte do seu curso, vamos passando por lagares, açudes e antigas hortas. Onde a água resiste podemos ver cágados mediterrânicos (Mauremys leprosa) e alguns vestígios de lontras.

 

 

No início e no fim do percurso somos confrontados com a “Fonte de Água Formosa”, a fonte que dá nome à aldeia. Esta encontra-se a cerca de 200 metros das casas numa pequena escarpa de xisto escavada para permitir o armazenamento de água. A água é potável pelo que, se necessário, é o sítio ideal para reabastecer os cantis.

Passámos por muitas zonas de pinhal (Pinus pinaster), mas também por medronheiros (Arbutus unedo), choupos (Populus spp), salgueiros (Salix spp) e eucaliptos, por entre as quais vão nascendo o rosmaninho (Lavandula stoechas), o pilriteiro (Crataegus monogyna) e as estevas (Cistus ladanifer).

 

 

Não os chegámos a avistar, mas várias pinhas roídas mostram o indício de esquilos-vermelhos (Sciurus vulgaris) na zona. O mesmo acontece em relação aos coelhos bravos (Oryctolagus cuniculus) e aos javalis (Sus scrofa). Já em relação à avifauna podemos avistar um casal de gaios (Garrulus glandarius) e um ou outro guarda-rios (Alcedo atthis). Contudo, ao olhar para os guias, vemos a possibilidade de observar outras espécies como o milhafre-preto (Milvus migrans) ou a águia-de-bonelli (Aquila fasciata), por exemplo.

 

 

É também de atentar no centenário  “Lagar das Águas Altas”, um lagar de azeite em actividade até aos anos 70 e que se encontra hoje à espera de restauro. Logo ao lado caminhamos sobre as levadas que outrora conduziam a água que o fazia mover.

O percurso em causa é o “PR4 VLR – Caminho do Xisto de Água Formosa” e logo na entrada da aldeia encontramos um painel informativo com todas as informações necessárias para o percorrer. É um percurso circular com cerca de 6 km e por esta altura do ano abundam as amoras que podem adoçar o caminho.

 

 

O lugar é calmo e predomina o som do vento e o chilrear das aves. Contudo, na Primavera a melodia da água e das pequenas cascatas que ladeiam o percurso poderá acrescer a sua beleza.

 

 

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