Piscos, gaios e chamarizes: as aves mais exuberantes na minha quinta

Correspondente

A correspondente da Wilder, Mafalda Ferreira Lima, dá-nos conta das espécies de aves mais exuberantes e assíduas que vivem nesta estação do ano na sua quinta, entre a Moita e Palmela: o pisco-de-peito-ruivo, o gaio e o chamariz.

O meu avô era um estudioso e grande admirador da vida selvagem em geral; era fotógrafo e conservacionista. Passou muito tempo da sua vida em África e viveu praticamente todo o resto numa extensa propriedade no Alentejo. Chegou a escrever um livro sobre aves (“As Aves”, com primeira edição de 1955), livro esse ilustrado magnificamente pela minha avó (e ao qual ainda recorro para esclarecer dúvidas).

Páginas do livro "As aves"

Páginas do livro “As aves”

 

Foi com eles que ganhei esta vontade de aprender, de explorar e dedicar longas horas do meu dia a observar a natureza e a pintá-la e desenhá-la.

Não sei bem porquê – talvez graças aos contos da escritora e naturalista inglesa Beatrix Potter (1866-1943), que eu adoro – mas associo os piscos-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) a algo mágico e encantador.

Vejo-os muitas vezes a saltitar rapidamente por entre as plantas no solo do montado, com as patas juntas, fazendo pequenas “vénias” e arrebitando a cauda.

Aguarela de Mafalda Ferreira de Lima

Aguarela de Mafalda Ferreira de Lima

 

Agora que a várzea foi lavrada também é comum vê-los a passear alegremente por entre os rebentos de aveia. É nestes ambientes que encontram o seu alimento: insectos, caracóis e minhocas. Estas pequenas aves nidificam em troncos de árvores ocos, muito comum no nosso pequeno montado, mas também em taludes, fendas etc…

É uma espécie residente, mas tenho o prazer de as observar aqui na quinta em maiores quantidades nesta altura do ano, quando chegam os piscos invernantes.

Os gaios (Garrulus glandarius) despertaram logo a minha atenção, pelas suas cores e pelo seu comportamento peculiar… Um pássaro estava sempre a “aterrar” no meio dos sobreiros; daí a segundos disparava pelo ar com uma bolota no bico e passados uns minutos voltava para buscar mais. Isto repetiu-se durante toda a manhã, semanas a fio! E às vezes vinham em grupos!

Aguarela de um gaio por Mafalda Ferreira de Lima

Aguarela de um gaio por Mafalda Ferreira de Lima

 

Fui investigar e isto foi o que descobri, nas palavras do meu avô: “O gaio é outro formoso ladrão dos nossos bosques: corpo pardo-avermelhado, cauda negra, branca na base, lados das asas azuis com riscos pretos, uma poupa despenteada no alto da cabeça que lhe dá um ar agaitado e refilão”. Tem preferência por zonas com bolotas, que são armazenadas no Outono como alimento para o Inverno. O carregamento de bolotas pode estender-se por vários quilómetros. Está explicado!

E por fim temos o chamariz (Serinus serinus), também conhecido por milheirinha ou serzino, “todo pintado de amarelo e cinzento.”

Chamariz Foto: Mafalda Ferreira de Lima

Chamariz Foto: Mafalda Ferreira de Lima

 

É uma ave pequena, muito enérgica e gosta de saltitar de ramo em ramo, demonstrado um comportamento muito irrequieto.

Na quinta, o chamariz aparece em bandos e demonstra um especial apreço pelos choupos que circundam o nosso riacho.

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