Mafalda Ferreira de Lima

Porquê instalar caixas-ninho para as aves?

Correspondente

A correspondente Mafalda Ferreira de Lima tem instalado várias caixas-ninho e aguarda, com entusiasmo, para ver quem as vai ocupar.

O que me levou a começar a colocar caixas-ninho se já existem ninhos naturais no montado? Bem, quis proporcionar às aves que habitam nesta quinta e às outras que por aqui passam, motivos para que ficassem por cá, melhorando as condições de sobrevivência.

Gralha-de-nuca-cinzenta (aguarelas e lápis de cor) Ilustração: Mafalda Ferreira de Lima

Gralha-de-nuca-cinzenta (aguarelas e lápis de cor) Ilustração: Mafalda Ferreira de Lima

Porém, tenho que admitir, este acto não é puramente altruísta. Na verdade, colocar ninhos dá-me a oportunidade de admirar estas aves mais de perto, fotografá-las e aprender, ao mesmo tempo que torno o meu “jardim” num espaço mais bonito e cheio de vida.

Agora que a Primavera se aproxima, está na altura de instalar as novas caixas-ninho e limpar aquelas que foram usadas o ano passado. Mais uma vez, o entusiasmo e a antecipação para descobrir quem vai ocupar cada uma delas é impossível de descrever!!

Ninho natural Fotografia: Mafalda Ferreira de Lima

Ninho natural Fotografia: Mafalda Ferreira de Lima

Com a pequena experiência que tive durante o ano passado, aprendi que, quanto mais variedade houver nos tamanhos das caixas e nos tipos de árvores em que as coloco, mais espécies tenho hipóteses de conseguir atrair, pois cada ave, consoante o seu género, tem preferências e necessidades diferentes.

Instalei seis ninhos no montado, em zonas e alturas variadas, três dos quais são do mesmo tamanho. Outros dois são bastante maiores.

Fotografia: Mafalda Ferreira de Lima

Fotografia: Mafalda Ferreira de Lima

Um deles foi ocupado durante o ano passado por um casal de gralhas de nuca cinzenta e o outro foi instalado este ano após termos avistado um pequeno mocho-galego. Resolvi, assim, construir um ninho ainda maior na esperança de interessar esta ave fascinante a ficar por aqui, já que esta zona fazia parte do seu território muito antes de cá chegarmos.

Por fim, instalei um ninho junto ao riacho, nos salgueiros (árvores que atraem espécies como o pintassilgo), e outro no eucaliptal.

Mocho galego, (aguarelas e lápis de cor) Ilustração: Mafalda Ferreira de Lima

Mocho galego, (aguarelas e lápis de cor) Ilustração: Mafalda Ferreira de Lima

Com o crescimento da população humana temos vindo a destruir, às vezes sem saber, o habitat de muitas espécies. Quero descobrir o que significa para cada ave o ninho ideal e quais as espécies que posso atrair. Com muita sorte, espero entusiasmar outras pessoas a fazer o mesmo e levá-las a descobrir a satisfação que advém desta actividade encantadora.

A taxa de sucesso está muitas vezes relacionada com a qualidade do habitat que oferecemos e que se define pela capacidade que temos em proporcionar os recursos mais importantes: alimento e abrigo.

Algumas dicas para tornar o nosso meio envolvente mais atractivo:

– Reduzir as zonas de relva favorecendo arbustos e árvores nativas;

– Aumentar a variedade de espécies de vegetação, incluindo árvores altas, arbustos, plantas e flores silvestres;

– Introduzir espécies específicas que sabemos ser da preferência das aves nidificantes na nossa área;

– Usar menos produtos químicos auxiliares, tais como pesticidas e fertilizantes;

– Fornecer uma fonte constante de água fresca e limpa.

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