Foto: Tony Smith

Seis espécies para descobrir nas Berlengas

A não perder

A noroeste do Cabo Carvoeiro, o Atlântico acolhe terras de plantas únicas e com uma avifauna marinha que vai querer conhecer. Planeie a viagem de barco até à Berlenga e parta à descoberta destes seis residentes da ilha. Convém lembrar que não há sombras nem cursos de água doce, por isso, não se esqueça de levar consigo água, chapéu e protetor solar.

 

Arméria-das-Berlengas (Armeria berlengensis)

Esta planta aproveita as fendas graníticas para agarrar as suas finas raízes e é em abril e maio que podemos avistá-la nas encostas do ilhéu, nas falésias e nos afloramentos rochosos. Graças às suas flores e forma particulares, facilmente a identificará. Infelizmente, a competição com o chorão, mas principalmente, a superlotação de gaivotas – que a utilizam na construção dos seus ninhos e alteram a composição química dos solos com os seus dejetos – colocaram a espécie em perigo. Atualmente, é considerada uma espécie criticamente ameaçada e, por isso, constantemente monitorizada.

 

Foto: Joana Andrade/SPEA

Foto: Joana Andrade/SPEA

 

Herniária-das-Berlengas (Herniaria berlengiana)

Outra espécie endémica das berlengas é a herniária, hoje em dia, considerada vulnerável devido à ameaça do chorão. Esta espécie rasteira assume a forma de uma pequena roseta e, o facto de ser suculenta, permite-lhe resistir a elevados níveis de salinidade. Procure a herniária em fissuras graníticas e em zonas onde o solo é esquelético; esses são os locais de eleição para a instalação destas plantas de pequeno porte. Esteja atento porque, ao longo dos trilhos, facilmente passa despercebida.

 

Foto: Débora Marujo/SPEA

Foto: Débora Marujo/SPEA

 

Pulicária-das-Berlengas (Pulicaria microcephala)

Esta planta, que se dispersa um pouco por toda a ilha, é bastante ramificada e carateriza-se pelas flores amarelas que lembram calêndulas em ponto pequeno. À semelhança das anteriores, também é exclusiva das Berlengas. A altura do ano mais fácil para a identificar é entre Março e Julho, quando está em floração.

Foto: Isabel Fagundes/SPEA

Foto: Isabel Fagundes/SPEA

 

Cagarra (Calonectris borealis)

As cagarras podem ser observadas ao longo de toda a costa portuguesa, mas só nidificam nos Açores, na Madeira e nas Berlengas. Caraterizam-se pelo seu bico amarelo e exuberantes asas brancas bordeadas a castanho, bem visíveis durante o voo.

As águas das Berlengas, ricas em peixe e moluscos, são ótimas fontes de alimento para estas aves, mas o facto de colocarem apenas um ovo torna-as espécies vulneráveis. Os ninhos de cagarras não são acessíveis aos visitantes da Berlenga, mas, até outubro, é possível acompanhar o crescimento de uma cria graças à colocação de uma câmara num ninho da ilha Berlenga.

 

Foto: Pedro Geraldes/SPEA

Foto: Pedro Geraldes/SPEA

 

Galheta (Phalacrocorax aristotelis)

Na ilha Berlenga encontram-se também famílias de galhetas. Esta espécie costeira é facilmente reconhecida graças à crista levantada na testa e plumagem escura, com reflexos esverdeados. Também apelidadas de corvos-marinhos-de-crista, estas aves fazem os seus ninhos, em grupo ou isoladamente, nos pequenos patamares rochosos das falésias, fendas ou grutas. São excelentes nadadoras, por isso não é de estranhar se encontrar alguma poisada no mar ou a mergulhar.

 

Foto: Tony Smith

Foto: Tony Smith

 

Gaivotas

Saiba distinguir a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) da gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus). A primeira é um pouco maior e carateriza-se pelo tom prateado/cinzento-claro do dorso e das asas – contrastante com a ponta preta com pintas brancas. Normalmente, mesmo no caso das juvenis (quando ambas possuem uma plumagem acastanhada), a Larus fuscus apresenta um tom mais escuro que a sua congénere.

Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) Foto: Alvesgaspar/Wiki Commons (à direita) Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus) Foto: Selkälokki/Wiki Commons (à esquerda)

Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis), à esquerda. Foto: Alvesgaspar/Wiki Commons; Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus), à direita. Foto: Selkälokki/Wiki Commons

 

Agora é a sua vez.

Existem, pelo menos, três coisas que pode fazer para ajudar a proteger a vida selvagem das Berlengas:

  1. Por razões de conservação e monitorização ambiental, nem toda a ilha pode ser visitada, por isso, respeite a sinalização e circule sempre nos trilhos;
  2. Escolha observar e fotografar as espécies em vez de as apanhar;
  3. No final da sua visita, junto do posto de informação do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), preencha um inquérito e dê a sua opinião sobre o que pode ser feito para melhorar a gestão desta área marinha.

 

Este texto foi editado por Helena Geraldes.

 

Saiba mais.

Está a decorrer um projecto de conservação da vida selvagem das Berlengas. A Wilder foi lá ver o que está a acontecer. Saiba tudo aqui.