Andorinhas-do-mar-árcticas. Foto: Universidade de Newcastle

Ave faz a maior migração de sempre ao voar 96.000 quilómetros

Ciência

A andorinha-do-mar-árctica pesa 100 gramas, menos do que um iPhone, e é a recordista no mundo das aves com as migrações mais longas. Agora, uma ave desta espécie acaba de bater um novo recorde, ao voar 96.000 quilómetros de Inglaterra à Antárctida.

 

Esta espécie não pára de surpreender. A andorinha-do-mar-árctica (Sterna paradisaea) é a mais pequena das aves marinhas do planeta. Apesar de não nidificar em Portugal pode ser observada ao largo da nossa costa durante as migrações, especialmente no Outono.

Um estudo da Universidade britânica de Newcastle, revelado hoje, vem aumentar o fascínio por esta ave de bico e patas vermelhas, cabeça preta e corpo cinzento e branco.

No ano passado, a equipa de cientistas colocou geolocalizadores electrónicos em 29 aves e mapeou, pela primeira vez, a sua migração anual desde as ilhas de Farne, ao largo da costa de Northumberland (Nordeste de Inglaterra) até às águas da Antárctida. As aves passaram o Inverno na Antárctida, e regressaram a Inglaterra na Primavera, para se reproduzirem.

 

Andorinha-do-mar-árctica com geolocalizador. Foto: Universidade de Newcastle

Andorinha-do-mar-árctica com geolocalizador. Foto: Universidade de Newcastle

 

Uma das aves fez 96.000 quilómetros desde o Mar de Weddell, na Antárctida, até Farnes, reserva gerida desde 1925 pela organização National Trust. Ali nidificam 2.000 casais desta espécie, ao lado de 87.000 casais de outras aves marinhas como o papagaio-do-mar (Fratercula arctica). “Este é o voo mais longo alguma vez registado para uma ave migradora”, escrevem os investigadores em comunicado. “O anterior recorde era de uma andorinha-do-mar-árctica da Holanda, que tinha feito 91.000 quilómetros.”

A viagem desta pequena ave começou a 25 de Julho de 2015. A 25 de Agosto estava na África do Sul. Depois, viajou pelo Oceano Índico onde passou o mês de Outubro; em Novembro estava na costa da Antárctida. A 3 de Fevereiro chegou ao Mar de Weddell onde ficou até 23 de Março. Finalmente, em Abril, seguiu de volta para a África do Sul, fazendo a costa oeste do continente africano e chegando às ilhas de Farnes a 4 de Maio. Ao todo foram 96.000 quilómetros. Ao longo da sua vida, esta ave poderá viajar cerca de três milhões de quilómetros, o equivalente a quase quatro viagens à Lua, de ida e volta. “Para uma ave que pesa menos que um iPhone, isso é um feito fantástico”, comentou Chris Redfern, um dos principais autores do estudo.

“Sentimo-nos humildes ao ver estas pequenas aves regressar, se pensarmos nas enormes distâncias que tiveram de viajar e como tiveram de lutar para sobreviver”, comentou Richard Bevan, da Escola de Biologia da Universidade de Newcastle.

Até ao momento, os investigadores conseguiram recapturar 16 das 29 aves marcadas no ano passado e avistaram outras quatro. Não se sabe o que aconteceu às restantes nove. Talvez não tenham sobrevivido ou provavelmente escolheram outro local para nidificar que não as ilhas de Farnes.

Agora, os cientistas vão analisar os dados para compreender melhor como esta espécie organiza as suas migrações e de que forma as alterações climáticas podem afectar as suas rotas.

Este estudo foi em parte financiado pelo programa de natureza da BBC Springwatch.