Foto: Peter D. Tillman/Wiki Commons

Cientistas usam “mexilhões robôs” para monitorizar alterações climáticas

Ciência

Minúsculos robôs estão a ajudar os cientistas a estudar como as alterações climáticas afectam a biodiversidade, de acordo com um artigo publicado na semana passada na revista Sci­en­tific Data.

 

Desenvolvidos por Brian Helmuth, da Universidade de Northeastern, em Boston (EUA), os “mexilhões robôs” têm a forma, o tamanho e a cor dos mexilhões verdadeiros, com sensores miniatura que medem as temperaturas nas colónias de mexilhões.

 

Mexilhão-robô entre os mexilhões verdadeiros. Foto:

Mexilhão-robô entre os mexilhões verdadeiros. Foto: Allison Matzelle

 

Nos últimos 18 anos, a cada 10 a 15 minutos, Helmuth e uma equipa de 48 investigadores usaram estes robôs para monitorizar a temperatura corporal, que é determinada pela temperatura do ar ou da água envolvente e pela quantidade de radiação solar que os aparelhos absorvem. Eles colocaram os robôs dentro das colónias de mexilhões nos oceanos por todo o planeta e registaram as temperaturas. Os investigadores criaram uma base de dados de quase 20 anos, o que lhes permite identificar áreas de um aquecimento fora do normal e desenvolver estratégias para evitar a extinção de algumas espécies.

“Eles parecem mesmo mexilhões mas têm pequeninas luzes verdes a piscar dentro deles”, diz Helmuth, em comunicado. “Assim, permitem-nos ligar as nossas observações de campo com o impacto fisiológico das alterações climáticas nestes animais tão importantes económica e ecologicamente”.

Os mexilhões agem como um barómetro das alterações climáticas. Isto porque eles dependem de fontes externas de calor, como a temperatura do ar e a exposição ao Sol, para sobreviver. Ou não, dependendo das condições. Usando trabalho de campo e modelos matemáticos e informáticos, Helmuth prevê padrões de crescimento, reprodução e sobrevivência de mexilhões nas zonas interditais.

Estes robôs e as suas medições são como um sistema de alerta. “Se começamos a ver locais onde os animais estão expostos regularmente a temperaturas imediatamente abaixo daquilo que os mataria, sabemos que qualquer ligeiro aumento os poderá destruir. E aí podemos intervir”.

“Perder colónias de mexilhões é como derrubar uma floresta”, disse Helmuth. “Se eles desaparecerem, tudo o que vive neles desaparecerá também. Eles são uma importante fonte de alimento para muitas espécies, incluindo lagostas e caranguejos. Eles também funcionam como filtro nas águas com pouca profundidade.”