Fotos: Ian Hughes/RSPB

Como se traz uma aranha do limiar da extinção

Natureza

A aranha-joaninha não é uma aranha qualquer. Durante 70 anos pensou-se que estava extinta no Reino Unido. Mas nos anos 80 foi encontrada uma pequena colónia, o que a tornou numa das mais raras daquele país e protagonista de um projecto de conservação que tem vários anos. Um novo censo revela agora que está a ganhar terreno numa reserva natural em Dorset.

 

A aranha-joaninha (Eresus sandaliatus) chama-se assim por causa do aspecto dos machos. Estes são avermelhados com seis pintas pretas (quatro grandes e duas mais pequenas) e patas brancas e pretas. Já as fêmeas e os machos juvenis são pretos e aveludados.

 

 

Os machos medem entre seis a nove milímetros e as fêmeas entre 10 a 16 milímetros (sem as patas).

Os resultados a um censo populacional, revelados hoje em comunicado pela organização Royal Society for Protection of Birds (RSPB), mostram que a aranha está a expandir o seu território. Durante 70 anos pensou-se que esta espécie da Europa do Norte e Central estava extinta. Mas em meados dos anos 80 foi encontrada uma pequena colónia no Reino Unido.

 

 

O trabalho começou, então, em 2011 na Reserva de Arne, em Dorset, gerida pela RSPB, um dos habitats para aranhas mais diverso daquele país (estão registadas 250 espécies). Nesse ano foram libertados alguns animais. Os biólogos usaram garrafas de água de plástico vazias – com o formato e tamanho ideais para as aranhas fazerem o seu ninho. As garrafas foram cheias com musgo e urze e as aranhas doadas de um outro local foram colocadas lá dentro e monitorizadas enquanto se instalavam e teciam a sua teia. Depois, as garrafas foram enterradas no solo para que as aranhas pudessem colonizar a zona em redor.

 

 

“É fantástico ver que esta pequena e incrível aranha está a sair-se bem na sua nova casa”, diz Toby Branston, gestor da reserva natural. “Censos feitos este ano encontraram cinco novas teias longe dos locais de libertação e outras nas suas ‘casas em garrafas’ originais”, acrescentou.

 

 

Estes animais sofreram anos de destruição dos habitats às mãos da agricultura, produção florestal e construção.

O projecto de conservação da aranha-joaninha tem como parceiras 12 instituições, entre elas a Natural England, o National Trust, o Ministério da Defesa e Comissão Florestal. É financiado pelos parceiros e por donativos.