Esquilo-voador-de-Humboldt. Foto: Nick Kerhoulas

Descoberta nova espécie de esquilo-voador

Ciência

Durante centenas de anos esteve mesmo à nossa frente mas só agora a Ciência descobriu a espécie esquilo-voador-de-Humboldt (Glaucomys oregonensis), segundo um artigo publicado na revista Journal of Mammalogy.

 

Hoje são conhecidas no mundo 45 espécies de esquilos-voadores, pequenos mamíferos nocturnos com uma extraordinária capacidade. Apesar de não voarem como as aves ou os morcegos, estes esquilos conseguem deslizar ou planar de árvore em árvore esticando membranas ligadas aos seus membros. Podem planar até 100 metros de uma vez e até mudar de direcção no ar, usando a sua cauda peluda para se orientarem.

A mais recente espécie a ser descoberta é o esquilo-voador-de-Humboldt, descrita num artigo publicado na Journal of Mammalogy a 30 de Maio. É a terceira espécie de esquilo-voador da América do Norte e recebeu o nome do grande naturalista Alexander von Humboldt (1769-1859).

 

Esquilo-voador-de-Humboldt. Foto: Museu de História Natural e da Cultura de Burke

Esquilo-voador-de-Humboldt. Foto: Nick Kerhoulas

 

O esquilo-voador-de-Humboldt vive nas florestas ao longo da costa do Pacífico, desde o Sul da Colúmbia Britânica até às montanhas do Sul da Califórnia. A questão é que, até agora, pensava-se que estas populações costeiras pertenciam a uma espécie já conhecida, o esquilo-voador-do-norte (Glaucomys sabrinus). A outra espécie que vive na América do Norte é o esquilo-voador-do-sul (Glaucomys volans).

 

Espécimes de esquilos-voadores da colecção do Museu de Burke usadas para ajudar a identificar a nova espécie. Foto: Museu de História Natural e Cultura de Burke

Espécimes de esquilos-voadores da colecção do Museu de Burke usadas para ajudar a identificar a nova espécie. Foto: Museu de História Natural e Cultura de Burke

 

“Durante 200 anos acreditámos que tínhamos apenas uma espécie de esquilo-voador no Noroeste, até que, pela primeira vez, estudámos o ADN nuclear, além do ADN mitocondrial”, explicou Jim Kenagy, co-autor do estudo, professor na Universidade de Washington e curador de mamíferos no Museu de História Natural e Cultura de Burke.

Os biólogos classificavam os esquilos-voadores da Califórnia e da costa do Pacífico como esquilos-voadores-do-norte. Certa vez, o biólogo Brian Arbogast olhou com mais detalhe para a genética dos espécimes de esquilos guardados nas colecções do Museu de Burke e percebeu que poderia haver ali espécies diferentes.

 

Espécimes de esquilos-voadores da colecção do Museu de Burke usadas para ajudar a identificar a nova espécie. Foto: Museu de História Natural e Cultura de Burke

Espécimes de esquilos-voadores da colecção do Museu de Burke usados para ajudar a identificar a nova espécie. Foto: Museu de História Natural e Cultura de Burke

 

Os resultados ao ADN indicaram que não havia qualquer ligação genética entre as populações de esquilos do interior e as da zona costeira.

“Foi uma descoberta surpreendente”, comentou Kenagy que, juntamente com Arbogast, passou anos a estudar os pequenos mamíferos do Noroeste dos Estados Unidos e como evoluíram para espécies diferentes há cerca de um milhão de anos atrás.