Foto: Joana Bourgard/Wilder (arquivo)

Encontrado o registo mais recente de crocodilos da Península Ibérica

Ciência

Uma equipa de 20 paleontólogos espanhóis fez a fotografia de como seria a fauna de Múrcia há quase cinco milhões de anos atrás. Descobriu o mais recente registo crocodilo da Península Ibérica e a presença de girafas e macacos nesta região.

 

Estes investigadores sistematizaram o material paleontológico encontrado na jazida de Puerto de la Cadena, em Múrcia, conhecida desde os anos 70 do século passado e situada a oito quilómetros da cidade de Múrcia. O objectivo era identificar as espécies a que pertenciam os fósseis dos animais ali encontrados e quando teriam vivido.

As escavações em Puerto de la Cadena aconteceram em 2009, 2010 e 2011. Durante esses trabalhos foram encontrados 2.000 fósseis, representando pelo menos 26 espécies. Hoje, esses fósseis estão aos cuidados do Museu Arqueológico de Múrcia.

Os paleontólogos encontraram fósseis em bom estado de conservação de roedores, tartarugas, macacos, girafas, antílopes, cavalos, rinocerontes, crocodilos e mastodontes, segundo um comunicado do Museu Nacional espanhol de Ciências Naturais, em Madrid.

 

À esquerda ondulações formadas por uma corrente de água; à direita um detalhe de uma folha fossilizada. Fotos: Jan van der Made

 

A análise destes vestígios permitiu tirar a fotografia da fauna que habitava esta zona da Península Ibérica há quase cinco milhões de anos e confirmar que a temperatura seria mais elevada do que a actual.

“Os animais africanos, que viajaram até à Europa quando o Mar Mediterrâneo estava seco, viveram nesta zona pelo menos até há 4,9 milhões de anos”, explicou o investigador daquele museu, Jan van der Made.

Entre os achados estão ainda várias gazelas, o registo mais antigo de um sivatério (sivatherium, antepassado das actuais girafas que vivia em África e no sul da Ásia) e o mais recente registo de um crocodilo na Península Ibérica.

“A presença de crocodilos demonstra que a temperatura da região era mais elevada do que a actual, já que os ovos de crocodilo apenas amadurecem em temperaturas mais altas do que as actuais”, acrescentou o investigador Jorge Morales, também do museu.

Estas descobertas foram descritas num artigo publicado a 1 de Agosto na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeonecology.