Quanto mais espécies de árvores diferentes tiver uma floresta, mais serviços esta consegue dar, desde reter a humidade, melhorar o solo, dar abrigo a aves ou produzir madeira, concluem investigadores de 30 instituições europeias.

 

Já estava demonstrado a pequena escala, mas agora investigadores de 30 instituições europeias comprovaram a importância de manter a diversidade de árvores a grande escala para que as florestas sejam multifuncionais.

Num estudo publicado agora na revista PNAS, os cientistas explicam por que as florestas europeias com maior diversidade de espécies cumprem melhor as suas funções, e conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo, do que as mais homogéneas.

“Além de produzir madeira, as florestas cumprem muitas outras funções, como regular o ciclo hidrológico, fixar o CO2 atmosférico ou permitir a sobrevivência das espécies associadas a cada habitat, sem esquecer o seu uso recreativo ou o seu valor estético e cultural”, diz o investigador do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid (MNCN-CSIC), Fernando Valladares, um dos autores do estudo.

Várias espécies criam diferentes benefícios. Algumas dão habitats para as aves, outras retêm melhor a humidade e melhoram a saúde do solo, outras dão boa madeira.

Os investigadores defendem a importância de conservar a paisagem e a sua biodiversidade e também de evitar planos de reflorestação que apenas incluem espécies pensando num único objectivo, por exemplo, na capacidade de produzir madeira.

“Ao repovoar com uma mesma espécie que, com frequência, não é autóctone, estamos a homogeneizar a floresta, o que a impossibilita de continuar a cumprir muitas das suas funções”, acrescenta, em comunicado.

Para realizar este estudo, os cientistas analisaram 209 parcelas de floresta em seis países europeus e 16 funções dos ecossistemas florestais. “A relação entre a diversidade da paisagem e a multifuncionalidade da floresta é sempre positiva. Quanto maior a diversidade de espécies nas parcelas de um mesmo habitat, mais funções cumpre esse dito habitat”, explica o investigador.