Gralha num túnel de voo. Foto: Aron Hejdstrom

Gralhas batem as asas para poupar energia

Ciência

Pela primeira vez, investigadores observaram que as aves que voam e batem as asas estão a poupar energia, revela um estudo da Universidade sueca de Lund publicado na revista científica Journal of The Royal Society Interface.

 

Os biólogos da Universidade de Lund mostraram que as gralhas-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula), espécie que também ocorre em Portugal, minimizam o gasto de energia quando levantam voo e voam porque as penas na ponta das suas asas criam vários pequenos vórtices em vez de um único grande vórtice. A descoberta pode vir a ser útil à indústria aeronáutica.

Até agora, múltiplos vórtices na ponta das asas só tinham sido associados a grandes planadores, como as águias, os abutres e as cegonhas. Nesta investigação, os biólogos Anders Hedenström, Christoffer Johansson e Marco Klein Heerenbrink, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lund descobriram que o mesmo fenómeno acontece com as gralhas-de-nuca-cinzenta, que batem as suas asas quando levantam voo e quando estão no ar.

As experiências foram realizadas num túnel de voo no Departamento de Biologia em Lund. As gralhas levantaram voo e voaram através de uma fina névoa que reflectiu uma luz laser, captada por câmaras especiais. Ao utilizar múltiplas imagens de várias câmaras, os investigadores conseguiram criar imagens tridimensionais do ar a passar pelas asas das gralhas.

 

 

“As penas da ponta das asas podem ser comparadas aos dedos esticados de uma mão”, explicou Anders Hedenström, em comunicado. “A ponta da asa gera vários pequenos vórtices no ar em vez de um grande vórtice, como uma aeronave com pontas das asas rectangulares ou elípticas. Exige mais energia e custa mais a levantar voo quando apenas é gerado um vórtice na ponta das asas”, acrescentou.

Anders Hedenström acredita que a descoberta poderá ter um impacto no desenho de futuros drones. “Poderemos construir drones mais eficientes que voem com batidas de asas. Dentro de uma década poderemos ver drones com uma morfologia parecida à de uma gralha”, disse o investigador.