Isidro, defensor das florestas, abatido a tiro no México

Naturalistas locais

O activista ambiental mexicano Isidro Baldenegro, reconhecido pela sua luta contra o abate ilegal das florestas na Sierra Madre, foi baleado mortalmente, informaram as autoridades nesta quarta-feira. Isto acontece cerca de um ano depois do assassinato de outra activista ambiental, Berta Cáceres, nas Honduras.

 

Isidro Baldenegro, 51 anos, era agricultor e líder do povo indígena Tarahumara, na região montanhosa de Sierra Madre, um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Em 2005 recebeu o prestigiado Goldman Prize pela sua luta em nome das florestas. “Passou grande parte da vida a defender as florestas antigas, de crescimento lento, do devastador abate de árvores numa região marcada pela violência, corrupção e tráfico de droga”, segundo um comunicado dos Goldman Prize.

Várias ameaças de morte já tinham obrigado Isidro a abandonar o estado de Chihuahua, segundo o jornal New York Times, citando Isela González, directora da Alianza Sierra Madre, organização que defende os direitos do povo Tarahumara.

Recentemente, Isidro regressou à região, mais concretamente a Coloradas de la Virgen, para visitar um tio. Na tarde de domingo, Romero Rubio Martínez, que estava na casa desse tio, puxou da arma e disparou seis tiros, tendo fugido de seguida, segundo o gabinete do Ministério Público de Chihuahua, citado por aquele jornal. Isidro morreu poucas horas depois.

Os motivos para este assassinato ainda não foram esclarecidos.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) já reagiu à notícia da morte de Isidro Baldenegro, dizendo estar “comovida e entristecida”. “Estamos consternados com estas insensatas mostras de violência sobre activistas ambientais que, por meios pacíficos, defendem a natureza”, comentou Inger Andersen, a directora-geral da UICN, o mais alto organismo internacional para a conservação. “Os activistas que dedicam as suas vidas a proteger pessoas e natureza devem receber protecção, não devem trabalhar num ambiente de violência e de medo”, acrescentou.

A organização lançou um apelo a “todos os Governos do mundo para que façam os possíveis para julgar todos aqueles que tenham como objectivo a violência contra activistas ambientais na América Latina e em outros países”.

Isidro é já o segundo galardoado dos prémios Goldman a ser assassinado. Em Março de 2016, Berta Cáceres, 45 anos, foi assassinada na sua própria casa nas Honduras.

Susan R. Gelman, presidente da Fundação Goldman Environmental Foundation, diz-se “profundamente afectada pela morte de Isidro Baldenegro”. “O seu trabalho incansável na organização de protestos pacíficos contra o abate ilegal de árvores na Sierra Madre ajudou a proteger as florestas, as terras e os direitos do seu povo”, comentou, em comunicado.

“Era destemido e uma fonte de inspiração para tantas pessoas que lutam para proteger o Ambiente e os direitos dos povos indígenas.”

Segundo Susan, “demasiados Governos ainda não conseguem criar lugares seguros onde as pessoas podem dar voz às suas causas e organizar movimentos livres de perseguição e ataques violentos”.