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Já existem 85 cidadãos observadores de medusas na costa portuguesa

04.01.2017
leitura de 2 minutos
Pelagia noctiluca, considerada muito urticante. Foto: Susana Martins

Logo no primeiro ano, entre Fevereiro e Dezembro passados, o programa de ciência cidadã GelAVista conseguiu reunir cerca de 85 colaboradores e 187 avistamentos de organismos gelatinosos por toda a costa portuguesa. A equipa do projecto falou com a Wilder.

 

“Temos agora cerca de 85 observadores para um programa, sem muita divulgação, que teve o seu início em Fevereiro de 2016”, explicam os responsáveis pela equipa do GelAVista, coordenado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que prevêem um “futuro promissor”.

A caravela-portuguesa (Physalia physalis) foi o organismo gelatinoso mais vezes observado (quase 40% dos avistamentos), num projecto que quer obter mais dados sobre quais são e onde andam os gelatinosos na costa de Portugal.

 

Caravela-portuguesa (Physalia physalis), considerada muito urticante. Foto: Rhalah
Caravela-portuguesa (Physalia physalis), considerada muito urticante. Foto: Rhalah

 

Ao longo de 2016, já se registaram até alguns dados curiosos. “Apesar de não se tratar de uma surpresa, o facto de a caravela-portuguesa ocorrer com tanta frequência na costa portuguesa, nos meses iniciais do ano, é algo que não estava descrito em trabalhos científicos e que queremos continuar a analisar.”

Para além da caravela-portuguesa, também a Catostylus tagi, uma medusa relativamente comum, foi das mais avistadas – ambas as espécies principalmente na região Centro, entre Peniche e Setúbal.

 

A Catostylus tagi é ligeiramente urticante. Foto: Raquel Marques
A Catostylus tagi é ligeiramente urticante. Foto: Raquel Marques

 

Entre as espécies mais vezes observadas esteve também a Chrysaora hysoscella, que no âmbito do GelAVista foi sendo avistada “ao longo de toda a costa do Algarve”.

“Ainda não podemos falar em conclusões porque os dados proporcionados por programas de ciência cidadã necessitam de uma grande quantidade de informação, a longo prazo, e de uma cobertura mais completa de toda a costa”, ressalva ainda assim a equipa.

Mas para já, é possível “ter uma ideia melhor sobre as épocas do ano em que as ocorrências de organismos gelatinosos na costa portuguesa são mais elevadas e sobre a sucessão de espécies ao longo dos diferentes meses.”

Realmente surpreendente, realçam os responsáveis do GelAVista, foi “a adesão dos cidadãos ao programa e a qualidade de informação” que fizeram chegar à equipa do IPMA. “Recebemos não só fotos de excelente qualidade, mas também informação recolhida com grande rigor científico.”

 

O primeiro encontro de participantes no GelAVista aconteceu em Dezembro
O primeiro encontro de participantes no GelAVista aconteceu em Dezembro

 

Quanto aos dados até agora recolhidos, já estão a ser utilizados para planear as próximas acções do projecto e para os conjugar com a análise de dados científicos, tendo em vista a produção de publicações científicas.

Uma das maiores apostas é também melhorar a divulgação, para que mais pessoas colaborem reportando avistamentos ou mesmo a ocorrência de não avistamentos – “igualmente importantes” – de organismos gelatinosos.

À frente do GelAVista, que se vai prolongar por vários anos, está um grupo de 12 pessoas que inclui investigadores e especialistas das áreas da ecologia do zooplâncton, oceanografia, genérica, modelação, design gráfico e gestão.

 

[divider type=”thin”]Agora é a sua vez.

O que deve fazer, se quiser reportar o avistamento (ou não avistamento) de um organismo gelatinoso?

Estas observações são tão importantes no Inverno como no Verão. De acordo com o IPMA, basta enviar informação sobre o avistamento para o email do projecto, [email protected]. Neste, deve incluir dados sobre a data, local, número de organismos observados e ainda uma fotografia dos mesmos, sempre que for possível.

Fique ainda a conhecer melhor quais são e onde andam os organismos gelatinosos da costa portuguesa, neste artigo da Wilder.

E pode espreitar este poster de divulgação do GelAVista, que ganhou um terceiro lugar na CommOcean 2016, uma conferência internacional da especialidade.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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