Hoje, o paleontólogo argentino Diego Pol e os seus colegas publicam um artigo científico onde dão o muito aguardado nome ao colossal titanossauro que foi encontrado na Patagónia Argentina e que até agora era um gigante anónimo. O Patagotitan mayorum, com 70 toneladas e 37 metros de comprimento, foi o maior animal que pisou a face da Terra.

 

Os paleontólogos acreditam que este dinossauro era um herbívoro gigante que pesava cerca de 70 toneladas, tanto quanto 10 elefantes africanos. Viveu há cerca de 100 milhões de anos, durante o período Cretáceo, na região que é hoje a Argentina, mais concretamente nas florestas da Patagónia.

Aquilo que sabemos hoje sobre este colossal dinossauro deve-se às escavações, entre 2012 e 2015, no deserto perto de La Flecha, na Patagónia, por uma equipa do Museu argentino Paleontológico Egidio Ferugio, liderada por José Luis Carballido e Diego Pol. Ao todo, os paleontólogos encontraram 223 ossos fossilizados de seis indivíduos, todos jovens adultos e de uma mesma espécie de dinossauro, a maior conhecida até agora.

 

Escavações na Patagónia argentina. Foto: A_Otero/MEF

 

O Museu de História Natural de Nova Iorque fez uma réplica à escala real do Patagotitan mayorum, exposta no quarto piso do museu desde Janeiro de 2016, com base em 84 ossos fossilizados. Diego Pol estará hoje nesta instituição numa cerimónia para divulgar o nome científico do dinossauro.

Apesar de os fósseis terem sido encontrados em 2014, a equipa de paleontólogos só publicou a descrição da espécie esta semana, num artigo científico publicado na revista Proceedings of the Royal Society B. Até porque, desde a descoberta dos primeiros fósseis em 2012 têm sido divulgadas várias novidades.

“Em 2013, quando se deu a notícia da descoberta, ainda estávamos a trabalhar nas escavações. Tínhamos encontrado no campo muitos ossos com certas características que indicavam que esta era uma nova espécie e que, aparentemente, se tratava do maior dinossauro encontrado até então”, contou, em comunicado, José Luis Carballido, do Museo Paleontológico Egidio Feruglio (MEF), especialista en dinossauros saurópodes e líder do trabalho de investigação. “Desde essa altura até agora foram feitas numerosas campanhas para recuperar os fósseis que foram preparados no MEF por técnicos especializados. Foi a partir desse trabalho que começámos a estudar os fósseis para determinar exactamente quais eram as características que permitiram identificar esta nova espécie”, explicou.

Hoje, depois de quatro anos de investigação, o trabalho foi publicado e com ele, o maior dinossauro do mundo foi baptizado formalmente como Patagotitan mayorum.

 

Esqueleto. Imagem: Jorge Gonzalez

 

O nome científico escolhido tem dois significados: “Patago” alude à zona onde os fósseis foram encontrados, a Patagónia; e “titan” que simboliza a força e o grande tamanho tem origem nos titãs, divindades da mitologia grega. Segundo os investigadores, a palavra completa pode interpretar-se como “gigante da Patagónia”. O nome específico “mayorum” foi escolhido como forma de agradecimento à família Mayo, os proprietários da Estancia La Flecha, lugar onde foram encontrados os fósseis e quem contactou os especialistas. Durante os anos que duraram as escavações, “esta família brindou com a sua hospitalidade mais de 15 pessoas, incluindo paleontólogos, geólogos, estudantes e voluntários”, escreve o MEF.

 

Quatro anos para dar um nome 

Foram precisos quatro anos para conhecermos o nome deste dinossauro. Carballido explicou a razão desta espera. “Quando descobrimos um novo dinossauro numa campanha paleontológica não significa que chegamos ao museu e o baptizamos imediatamente. Este é um processo que implica muito trabalho. Neste caso, as escavações demoraram três anos, a limpeza e o acondicionamento dos fósseis outros dois anos (à medida que os materiais chegam do campo vão-se limpando no laboratório) e, finalmente, o estudo dos materiais.”

Para determinar que os fósseis pertenciam a uma nova espécie, os investigadores tiveram de estudar outras espécies conhecidas de dinossauros de grande tamanho. “Comparámos os fósseis com todas as espécies que, de alguma forma, poderiam estar relacionadas”, como os dinossauros argentinos  Argentinosaurus, Puertasaurus e Futalognkosaurus, acrescentou Carballido.

Além disso, “estimar o peso corporal de um animal extinto é um grande desafio”. “Só temos os ossos e, a partir deles, os investigadores têm que inferir o peso corporal usando métodos indirectos”, disse o paleontólogo Diego Pol. A estimativa do peso foi feita a partir da medida da circunferência do úmero e do fémur, as principais extremidades que suportam a maior parte do peso do animal, e a partir do volume do corpo.

Até agora havia muitas incógnitas sobre a evolução dos saurópodes, em especial dos animais maiores. Segundo Diego Pol, a “evolução do gigantismo extremo nos titanossauros deu-se apenas uma vez no tempo e não em eventos distintos”. Aparentemente, “todos os dinossauros verdadeiramente gigantes estavam relacionados entre si e formam um grupo conhecido como Lognkosauria. Este grupo de gigantes teria surgido no final do Cretáceo inferior e teriam sobrevivido até meados do Cretáceo superior (entre os 100 e os 85 milhões de anos).”