Rute Arouca Teixeira tem 64 anos e mora no Porto. Ex-funcionária pública licenciada em Engenharia Civil, sempre trabalhou em Ordenamento do Território, a área da sua pós-graduação. Hoje é Embaixadora da Floresta da Área Metropolitana do Porto.

 

O que a Rute faz pela floresta?

O contributo de Rute passa por ajudar a reflorestar terrenos, a sensibilizar a população, nomeadamente escolas, e a dar formação sobre árvores autóctones e a história das nossas florestas no âmbito do FUTURO – o projeto das 100.000 árvores na Área Metropolitana do Porto.

Também dedica parte do seu tempo a ajudar no viveiro da autarquia do Porto. “Inicialmente, como a Câmara Municipal do Porto não tinha área florestal, não se faziam plantações na cidade. No entanto, a criação do viveiro municipal veio mudar este panorama”, conta à Wilder. Rute defende a plantação de vegetação autóctone. “Estas espécies, que enriquecem a biodiversidade e são mais resilientes aos incêndios, acabam por ser um pequeno contributo capaz de fazer a diferença”, releva à Wilder.

Na verdade, a ligação de Rute às florestas vem de há muito. Durante mais de seis anos, enquanto técnica superior da CCDR (Comissão De Coordenação e Desenvolvimento Regional) do Norte participou em vários projectos, como o “Futuro Sustentável”, iniciado em 2003. “A proteção das florestas e a informação dos cidadãos, dois dos vários eixos de intervenção do projeto, fizeram com que me aproximasse bastante da realidade das florestas portuguesas”, revela-nos. E em 2003, ano de grandes incêndios, Rute lembra o  forte espírito comunitário na região. “Notava-se que as pessoas estavam sensibilizadas e preocupadas com a qualidade ambiental da AMP.”

Depois, no contexto do Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável da AMP, Rute Teixeira esteve na génese da ideia do FUTURO – o projeto das 100.000 árvores da Área Metropolitana do Porto. Porém, não tencionava ser apenas a técnica superior envolvida na preservação das florestas. “Queria ser uma cidadã participativa e ativa no terreno, por isso comecei a pensar no que poderia fazer para melhorar a qualidade do ambiente.”

Mesmo depois de se reformar, Rute não baixou os braços. “Disse logo que gostava de continuar a ser uma voluntária ativa no projeto.” Foi uma das primeiras a ser apelidada de “Embaixadora da Floresta” pelo FUTURO. “Na minha opinião, a sua grande mais-valia é convocar os cidadãos para estas questões de preservação do património natural, envolvendo-os diretamente.”

 

Por que razão o faz?

Esta cuidadora das florestas destaca dois dos muitos desafios que as florestas portuguesas enfrentam e que justificam a intervenção de todos.

“Deixámos de ter uma rede de pessoas que efetivamente conhecem as florestas e isso não é nada positivo”, afirma Rute. “Em 2000, lembro-me bem de ainda se pagar a guardas florestais, guarda-rios ou sapadores. Não foi assim há tanto tempo como se pensa.”

A falta de ordenamento do território nacional é, para Rute, uma das problemáticas mais graves que o país enfrenta. E recorda o arquiteto paisagista português, Ilídio Alves de Araújo (1990-2015). “Infelizmente, é uma figura pouco conhecida e reconhecida em Portugal que, ao longo do seu trabalho, sublinhou sempre a importância do ordenamento do território na preservação das paisagens e na qualidade de vida das pessoas”.

 

Este texto foi editado por Helena Geraldes.

 

Série Wilder Cuidadores de Florestas

Nesta época crítica para as florestas, marcada por incêndios, não vamos falar de área ardida nem tentar explicar as causas desta calamidade. Queremos antes mostrar os portugueses que estão a cuidar das florestas ao longo de todo o ano. Nesta série falámos com os responsáveis por alguns dos melhores projectos de prevenção de fogos e de enriquecimento de florestas e ouvimos as histórias de cidadãos que arregaçam as mangas pelas árvores. Estes são os Cuidadores de Florestas.