Bears Ears National Monument. Foto: vUS Bureau of Land Management/Wiki Commons

Trump vai rever protecção a dezenas de áreas de vida selvagem

Natureza

O Presidente norte-americano Donald Trump está a rever a protecção a milhares de hectares de áreas de vida selvagem no país. Vários monumentos nacionais declarados por Presidentes anteriores desde 1996 poderão ser afectados.

 

Trump assina hoje uma ordem executiva sobre a lei que dá aos Presidentes norte-americanos o poder de nomear áreas terrestres e marítimas como monumentos nacionais, introduzida em 1906 pelo Presidente Teddy Roosevelt.

Essa ordem põe nas mãos do Secretário do Interior, Ryan Zinke, a tarefa de rever entre 24 e 40 monumentos nacionais que tenham mais de 40.000 hectares e que foram declarados desde 1 de Janeiro de 1996. Caberá a Zinke sugerir alterações legislativas, decidindo se esses monumentos serão “rescindidos, alterados ou redimensionados”, explicou este em comunicado divulgado ontem.

“Em alguns casos, os monumentos nacionais causaram perda de postos de trabalho, redução dos salários e perda de acessos públicos”, salientou Zinke. “Sentimos que o público, as pessoas afectadas pelos monumentos, deverão ser consideradas e ter uma voz.”

Um dos monumentos a ser revisto é o Bears Ears National Monument, no estado do Utah, designado por Barack Obama a 28 de Dezembro de 2016, no último mês da sua presidência. Apesar de ter sido aplaudido por vários líderes de tribos que consideram aquela área sagrada, a medida teve a oposição dos republicanos daquele estado.

A grande maioria desses cerca de 40 monumentos são reservas marinhas, incluindo a expansão do monumento Papahanaumokuakea, no Havai, no ano passado. É aqui que nidifica o albatroz Wisdom, a fêmea mais antiga de que há conhecimento. O monumento de Rio Grande del Norte, no Novo México, também será escrutinado.

O gabinete de Zinke terá agora 120 dias para entregar um relatório final ao Presidente.

Os ambientalistas argumentam que estas áreas protegem inúmeras espécies de animais selvagens, como águias, alces, ursos e linces e salvaguardam património cultural e ajudam as economias locais através do turismo.

Para a organização Center for Biological Diversity, este é um “ataque devastador e sem precedentes aos terrenos públicos da América”. “Este é um passo assustador em direcção ao desmantelamento da protecção a alguns dos lugares mais icónicos da América: os nossos parques e monumentos naturais”, comentou Kierán Suckling, director-executivo daquele centro, em comunicado.