Um escaravelho totalmente diferente descoberto na África do Sul

Natureza

Fotografia: David Bilton/Universidade de Plymouth

Entre a vegetação densa das zonas húmidas nos arredores da Cidade do Cabo, África do Sul, foi encontrada uma nova espécie de escaravelho de água (Capelatus prykei). A descoberta acaba de ser publicada na revista “Systematic Entomology”.

Este escaravelho, que mede entre oito e dez milímetros, é muito diferente de qualquer outro escaravelho de água do planeta. “O Capelatus prykei parece estranho desde o primeiro momento, totalmente diferente de qualquer outro escaravelho de água conhecido”, diz David Bilton, da Universidade de Plymouth. “É relativamente comum descobrir novas espécies de escaravelhos, mas é muito menos comum encontrar coisas tão diferentes ao ponto de serem colocadas num novo género”, acrescenta.

A equipa de Bilton – da qual faz parte o entomólogo Clive Turner e colegas do Museu de Zoologia de Munique – fez análises genéticas e concluiu que os animais mais próximos do Capelatus vivem a milhares de quilómetros de distância (no Mediterrâneo e na Nova Guiné) e que a última vez que partilharam um antepassado comum foi há cerca de 30 milhões de anos atrás.

“Este escaravelho é uma verdadeira relíquia da evolução que parece ter sobrevivido apenas numa área muito pequena perto da Cidade do Cabo, provavelmente porque esta região teve um clima relativamente estável durante os últimos milhões de anos”, comenta o investigador.

Hoje, o Capelatus é extremamente raro. “Na verdade, apenas conhecemos uma população, dentro do Parque nacional Table Mountain”, disse Bilton. Por isso, os autores do artigo sugerem que deve ser atribuída à espécie um estatuto provisório de Criticamente Ameaçada, da União Internacional de Conservação da Natureza (UICN).

Este cientista começou a estudar os escaravelhos de água daquela região no âmbito de trabalhos de campo anuais de alunos da Universidade de Plymouth à África do Sul. Nos últimos cinco anos encontrou dezenas de novas espécies.

Esta região alberga um dos maiores hotspots de biodiversidade do planeta e nela vivem 20% das espécies de plantas de toda a África sub-Saariana. Aqui existe um elevado número de espécies endémicas de répteis, anfíbios, peixes de água doce e insectos.