Fotos: António Heitor

As danças (ou o pugilismo) das lebres

Correspondentes

O correspondente da Wilder esteve de olho nas lebres e assistiu às típicas “danças” ou lutas “de pugilismo” dos machos na Primavera.

 

As vinhas e olivais podem ser excelentes locais para as lebres, especialmente nas entrelinhas entre as culturas, onde são semeadas plantas anuais que melhoram a fertilidade e produtividade do solo. Procuro sinais de lebre sempre que visito vinhas que usam esta prática agrícola.

 

 

Apesar de se poder reproduzir todo o ano, as épocas de maior actividade são o fim de Inverno e a Primavera. E começam as lutas e danças entre machos. Estes lutam entre si para determinar qual o mais forte e aquele que terá a responsabilidade de acasalar com o maior número de fêmeas. Como não têm territórios bem definidos, estes combates de pugilismo podem ocorrer um pouco por todo o lado. Por vezes, no calor da batalha, deixam que nos aproximemos um pouco mais.

 

 

 

Este é um bailado que pode acabar com pouca violência mas quando tal não acontece a situação assemelha-se a um combate de boxe. Estas exibições são relativamente fáceis de ver em zonas planas e com poucas árvores, como pastagens e vinhas, podendo incluir várias lebres.

 

 

Por estes dias, a época de reprodução já vai bem avançada. As lebres estão empenhadas em criar uma nova geração.

 

 

Como não têm tocas, as crias nascem em “camas” (nada mais do que pequenas depressões no solo) já com pelo, de olhos abertos e com capacidade de movimentação quase imediata. Como dependem da vegetação para se esconder, as lebres procuram áreas abertas de vegetação rasteira, onde se podem “deitar” com as orelhas bem para trás, tentando passar despercebidas. É preciso procurá-las com atenção. Os grandes olhos são o primeiro sinal da sua presença.

 

 

A lebre é um lagomorfo, tal como o coelho, que pode ser encontrado no nosso país e é um belo exemplo de uma espécie mediterrânica.

 

 

Apesar de aparentada com os coelhos, as características comuns são poucas. Enquanto o coelho constrói tocas como elemento central da sua vida a lebre não o faz. Além disso, a lebre tem orelhas bem mais compridas, as patas traseiras mais longas e um esqueleto mais leve do que os coelhos. Tudo para escapar rapidamente aos predadores, tanto mais que não têm tocas para se esconder.

 

 

Além da velocidade e das imprevisíveis mudanças de direcção durante a fuga, as lebres confiam na técnica da camuflagem. As cores da pelagem, branca no ventre e castanho dourado no dorso, tornam muito difícil encontrar estes animais no meio da vegetação.

 

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