Fotos: António Heitor

As últimas oportunidades para encontrar invernantes

Correspondentes

O correspondente da Wilder esteve muito atarefado em Fevereiro, com visitas ao estuário do Tejo e aos campos do Alentejo. Saiba as espécies que ele encontrou.

 

Estamos naquela época de transição do Inverno para a Primavera. As espécies migradoras estão “em alta”. As que aqui passam o Inverno preparam a viagem de regresso aos locais de reprodução e as nidificantes começam a chegar. Aproveitei Fevereiro para procurar aves que andaram escapadas aos meus binóculos: grous, tarambolas, zarros, ferreirinhas e gaivotas.

O início do mês foi passado à procura dos zarros no estuário do Tejo, sem grandes resultados. Mas já no que às nidificantes diz respeito o mês não correu mal: alvéola-amarela (Motacila flava), andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum).

Na Costa do Estoril, encontrei na praia de Algés uma gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus) anilhada. Era uma fêmea anilhada na Holanda em 2011 e que nos anos seguintes foi avistada sempre na época da reprodução no mesmo local. Este foi o primeiro registo de um local de invernada.

 

 

O mau tempo impossibilitou mais saídas e já começava a perder a esperança de ver algumas das espécies em falta.

No fim do mês participei no censo de águia-imperial do projecto Life Imperial. Entusiasmado, cheguei a Castro Verde ao nascer do Sol. Primeiro registo: grous (Grus grus). Mas que bela maneira de começar o trabalho. Encontrei também os primeiros francelhos-das-torres (Falco naumanni), machos que chegam cedo para defender os ninhos para a Primavera.

 

 

Durante o dia, todas as grandes águias na lista, cortiçóis, milhafres, corvídeos diversos e uma longa lista de passeriformes. Ao fim do dia um registo único: um vulgar trigueirão (Emberiza calandra), mas leucístico.

 

 

O segundo dia foi repleto de açores (Acccipiter gentilis), milhafres-reais (Milvus milvus), andorinhas-d’aurica (Cecropis daurica) e, ao fim do dia, a minha primeira ferreirinha (Prunella modularis) do ano.

Um vulto “ondulante” de árvore em árvore despertou a minha atenção. Era um pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major) a dar o seu contributo para o estado sanitário da floresta, controlando as suas pragas.

 

 

A passagem de fringelídeos de regresso aos locais de dormida foi uma excelente oportunidade para ver bico-grossudo (Coccothraustes coccothraustes), tentilhão (Fringila coelebs), verdilhão (Carduelis chloris), pintarroxo (Carduelis cannabina) e pintassilgo (Carduelis carduelis).

Mas não só de vertebrados se faz um dia de campo. As borboletas aproveitavam os raios de Sol para aquecer as asas: uma borboleta almirante-vermelho (Vanessa atalanta), a bela-dama (Vanessa cardui), a borboleta-das-couves (Pieris brassicae), uma borboleta-maravilha (Colias croceuse) e uma borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Para a foto apenas a bela-dama.

 

 

O último dia de campo estava bem cinzento e com promessa de chuva. Na serra da Adiça um grande bando de tordos obrigou a uma olhadela atenta à procura do tordo-ruivo (Turdus iliacus). Nada feito, mas entretanto “somei” algumas nidificantes à lista: águia-calçada (Aquila pennata); águia-cobreira (Circaetus gallicus); milhafre-preto (Milvus migrans); e cuco-rabilongo (Clamator glandarius). O mundo das plantas também tinha novidades: a roselha-grande (Cistus albidus) já mostra as suas flores cor-de-rosa, misturadas com o branco da estevinha (Cistus salviifolius); as abróteas-de-primavera (Asphodelus ramosus) começavam também a florir.

 

 

 

 

 

Na direcção do Ardila, um bando de tarambolas-douradas nos campos agrícolas de Santo Amador. Os grous aproveitam as pastagens e os campos de leguminosas para preparar a grande viagem que se aproxima.

 

 

No dia seguinte, o regresso fez-se pelas vinhas da Vidigueira para levantamento de fauna para indicadores de gestão. Curioso verificar como o leque de espécies que utilizam a vinha é mais vasto do que pensamos. Uma passagem por uma das albufeiras novas da região faz-me pensar no seu potencial para as aves aquáticas, como por exemplo para zarros, mas destes nem sinal. Encontro uma garça-branca-grande (Ardea alba) que voa para a segurança de uma azinheira. Uma nova espécie do montado.

 

 

Ao chegar a Lisboa uma paragem em Alcochete, na ribeira das enguias. Ao procurar pelos zarros encontro um bando de flamingos (Phoenicopterus roseus). Entre eles algumas anilhas. Já sei que são aves “andaluzas” e aguardo mais informação sobre essas aves.

 

 

 

Já agora apesar da má qualidade da luz lá consegui uma foto de águia-imperial (Aquila adalberti) melhor do que a que tinha. Quando aos zarros … daqui a uns meses regressam.

 

 

Um agradecimento ao pessoal do Life Imperial da LPN, em especial ao Carlos por mais esta oportunidade de estar mais perto da grande águia. Obrigado ao Roland-Jan Buijs e ao Antoine Arnaud pelo envio de informação das aves anilhadas.

 

Saiba quais as espécies que o António está a registar

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