Nos seus passeios na natureza nas primeiras semanas do Verão, António Heitor assistiu às diferentes estratégias de caça das aves. Viu andorinhas voar entre nuvens de insectos, íbis-pretos a enfiar o bico debaixo do tapete verde dos arrozais e garças-vermelhas perfeitamente camufladas nos caniçais.

 

Estamos no início do Verão. Os campos, agora em tons de amarelo e vermelho, transformam-se por causa do calor e da pouca chuva. Os recursos começam a escassear e a procura por alimento exige um maior gasto de energia para muitas espécies de animais. Assistir às suas diferentes técnicas de caça é, sem dúvida, uma excelente forma de passar um dia no campo.

Bandos de andorinhas – dos beirais, das chaminés e das barreiras – percorrem zonas abertas, voando no meio de nuvens de insectos. É quando poisam para beber água ou descansar que é mais fácil observar estas aves. Os juvenis que saíram do ninho observam os adultos, aprendendo as técnicas de caça mais eficazes.

 

 

Por entre os bandos de andorinhas encontro também outras aves, como os trigueirões, as alvéolas-amarelas, os cartaxos, os pintarroxos e as fuinhas-dos-juncos. Esta é uma pequena ave com um voo ondulante. Canta a voar, marcando assim o seu território. As fuinhas-dos-juncos não caçam como as andorinhas. Preferem procurar alimento junto à vegetação herbácea, ou mesmo no chão, dependo da espécie.

 

 

Nesta altura do ano, nos campos agrícolas as máquinas lavram ou ceifam as culturas e preparam-se os fardos de palha. Muitas presas ficam agora a descoberto. É a oportunidade ideal que muitas espécies de aves não podem perder. Rapinas, garças e alvéolas aproveitam o trabalho do Homem e afinam técnicas de caça. Por vezes, o número de aves que anda atrás de um trator pode chegar às largas dezenas.

Além da preparação dos campos, também a passagem do gado à procura da erva mais verde faz levantar os insectos que estão no chão. Mais uma vez, as aves estão atentas. Um chilrear faz-me olhar para cima. Lá no alto, vários andorinhões voam em acrobacias, caçando em zonas abertas. A sua incrível capacidade de voo permite que cacem até 100 quilómetros do ninho.

 

 

Estas são provavelmente as aves que mais tempo passam em voo. Dormem, caçam e bebem em voo, chegando mesmo a dormir e acasalar no ar. Apenas pousam na época da reprodução, mas o ninho é construído de material recolhido no ar.

O Sol de Verão faz crescer os arrozais. Aqui abundam insectos, invertebrados, anfíbios e répteis. São o deleite de aves e mamíferos. Nestas zonas, o método de caça é diferente, pois as presas já têm onde se esconder. É preciso procurar por baixo do tapete verde e as estratégias de caça variam consoante as características do bico e das patas. Os íbis-pretos procuram alimento na lama e dentro de água, fazendo um movimento que pode ser semelhante ao dos colhereiros.

 

 

Já as garças usam os seus longos bicos como uma seta, apanhando rãs, peixes e pequenos mamíferos.

Um bando de gaivinas-de-bico-preto está à procura da próxima presa nos arrozais. Talvez insectos, aranhas, sapos, rãs, pequenos répteis e peixes e mais raramente pequenos roedores. Mas a presa mais comum nesta época do ano é o lagostim-vermelho, uma espécie exótica invasora.

 

 

A maioria das presas é apanhada dentro de água. A cada mergulho destas gaivinas fico atento para ver o que vem no bico.

Nos canais e linhas de água, onde a vegetação é mais exuberante, ouço pernilongos ao longe, uma ave elegante que dificilmente passa despercebida.

 

 

É muito territorial e não permite a aproximação de outras aves, mesmo de maior porte. Podem acreditar que os ataques são frequentes, sempre acompanhados de vocalizações sucessivas. E a sua tenacidade na defesa do ninho faz com que a passagem de um predador seja respondida com uma perseguição por parte de todas as aves da colónia.

Ali não muito longe estão as grandes garças-vermelhas. Estas aves não são como as outras garças que fazem os seus ninhos em colónias nas árvores. Antes preferem construir o ninho em caniçais inundados, junto ou mesmo na água, usando a vegetação do local.

 

 

São em geral muito tímidas e não permitem grandes aproximações. Por norma não caçam em grupo. Preferem zonas de vegetação flutuante onde podem caçar pequenos peixes, insectos, anfíbios, répteis, crustáceos e mesmo pequenos mamíferos. É muito comum estarem no meio da vegetação sem que a sua presença seja facilmente notada. No entanto, assim que nos aproximamos levantam voo e emitem um som monossilábico característico. É nesta altura que as podemos ver um pouco mais de perto.

 

 

Saiba quais as espécies que o António está a registar

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