O último encontro que a correspondente da Wilder teve com um ouriço-cacheiro começou de forma atribulada. Mas no final, Banjo voltou para casa dele mais gordinho e bem disposto.

 

Não vou esconder o quanto adoro e admiro os ouriços!

Tenho por eles um carinho enorme e, ao longo da minha vida, já tive o prazer de cruzar-me com vários, cada um com a sua cor, feitio e história. Uns a precisar de ajuda e outros apenas de passagem. Todos únicos e para sempre recordados na minha memória como amigos que fiz e que me deram uma grande sensação de alegria e propósito. Em especial, de todas as vezes que tive o prazer de os devolver à natureza.

Podia ficar aqui eternamente a contar histórias engraçadas que vivi graças a estas criaturas que fazem parte do imaginário fantástico de tantas crianças (e não só!), mas hoje vou falar-vos do último ouriço que tive o prazer de receber em casa, o Banjo!

 

 

Encontrei-o numa manhã de Outono, entalado na cerca que faz o perímetro da quinta. Já com as patas totalmente inchadas e feridas nas costas, feitas por algum predador que, vendo uma refeição fácil, tentou a sua sorte. Graças aos cerca de seis mil espinhos aguçados que cobrem grande parte do corpo, não foi bem sucedido!

 

Fotografia de Banjo, que também surge nas restantes fotos

 

Soltei-o da cerca. Ao ver que não conseguia caminhar nem enrolar-se na sua posição de protecção (devido ao inchaço provocado pela falta de circulação), concluí que a única forma de garantir a sua sobrevivência era trazê-lo para casa, mantendo o mínimo contacto humano possível, por forma a restabelecer a sua força e saúde para poder voltar onde pertencia.

 

 

Poucos dias volvidos, estava totalmente novo e afoito (bom sinal!) e posso dizer que voltou para casa dele mais gordinho e bem disposto (espero, qualquer dia, voltar a vê-lo por aqui!)

É importante referir que, após este incidente, abrimos passagens em todas as cercas para que tal não torne a acontecer.

 

 

O ouriço cacheiro (Erinaceus europeus) é um mamífero insectívoro que pertence à família Erinaceidae, tem hábitos essencialmente crepusculares, e embora tenha  patas pequenas, pode percorrer, numa só noite, distâncias de até três quilómetros na busca de alimento. São mamíferos nocturnos que hibernam de Novembro a Março.

 

 

Infelizmente, existe uma grande taxa de mortalidade nos ouriços durante a primeira hibernação, uma vez que muitas vezes não conseguem acumular peso suficiente para subsistir ao Inverno.

Esta e outras razões mais tristes contribuem para que este carismático animal esteja a desaparecer rapidamente e em grande número no Reino Unido, onde campanhas são feitas na tentativa de evitar que desapareça completamente.

 

 

Espero que esta realidade não nos alcance e, como sei que muita gente adora este animal tão emblemático da nossa fauna,  deixo aqui quatro dicas para quem quiser ajudar os ouriços que vivem por perto:

– se recebe visitas ou tem algum ouriço a viver no seu jardim,  acumular o “lixo” do jardim, (folhas, troncos etc) proporciona um excelente abrigo , ninho de hibernação.

– Para ajudar o ouriço a ganhar peso para o inverno para além da sua deita normal (lesmas, caracóis, besouros, lagartas e minhocas) pode deixar um pequeno prato com comida rica em proteínas (por exemplo,  carne picada ou paté/ração para gato), particularmente nesta altura do ano. Uma tigela de água potável também deve estar disponível.

-não queimar moitas, troncos/folhas sem primeiro verificar se está habitado

-abrir um pequeno buraco na base de cada cerca para permitir o acesso livre de perigo.

Espero que tenham muitas visitas e o prazer de poder ver estes fantásticos animais muitas e muitas vezes no futuro!!

 

 

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