Na quinta da correspondente da Wilder Mafalda Ferreira de Lima já se nota a chegada da Primavera. Muitas são as aves que andam num corrupio à procura de par para fazerem o seu ninho.

 

Os dias estão maiores. O campo começa a encher-se de flores e o ar de uma grande variedade de sons e música. Estamos no início da Primavera!

As aves vivem com alvoroço a nova estação, disparando pelo céu em busca de um par para iniciar mais um ciclo de vida.

Na quinta já se vê bem o desenrolar da Primavera e são várias as espécies de aves que aqui fazem os seus ninhos. Assim que formam um casal o seu primeiro objectivo é escolher um local seguro e seco para construir o ninho.

Como diria o meu avô, no seu livro As Aves (1955), “os ninhos diferenciam-se uns dos outros, especialmente pelo material com que são feitos, pela forma que têm e pelo lugar onde são construídos.”

Na realidade podemos encontrar ninhos no solo, no topo das árvores e arvoredos ou até mesmo dentro de água! O tamanho do ninho está relacionado com a dimensão do seu construtor. Quanto maior for a ave, maior o ninho. Uns são verdadeiras obras de arte e engenharia, outros são toscos e despreocupados.

 

Ilustrações da minha avó

 

 

Vejamos então três espécies que têm passado por aqui, época após época.

Comecemos pelo nosso mais alegre e destemido residente, o chapim-azul (Cyanistes caeruleus).  Pertence à família Paridae e reproduz-se em bosques, parques e jardins. Gosta de nidificar em cavidades nas árvores, mas é uma espécie que aceita com grande facilidade caixas-ninho. Curioso é saber que o casal de chapins irá retornar à mesma cavidade ano após ano, e esta só será ocupada por outros quando o casal inicial já não existir. Põem normalmente entre 6 a 8 ovos e para garantir o conforto das suas crias, usam materiais como o musgo, penas, pelos e lã.

 

 

 

Outra espécie que adoro nidifica e reside no montado o ano inteiro. É a trepadeira (Certhia brachydactyla)! Pertence à família Sittidae e, assim como o chapim, prefere a proteção dos bosques para se reproduzir, mas pode ser encontrada em zonas urbanas como jardins e parques. Habitualmente constrói o seu ninho em fendas nas árvores ou na cortiça dos sobreiros. Mas também aproveita antigas cavidades de pica-pau ou alguma caixa-ninho que encontre. Habilidosamente constrói o seu ninho em duas camadas, a inferior contém troncos, erva, cortiça e caruma e a superior (que estará em contacto com os ovos, de 5 a 7 tipicamente) é composta por materiais mais finos como teias de aranha, penas, musgo e lã. É das visões mais engraçadas, a pequena trepadeira a recolher a lã que as ovelhas aqui da quinta deixam na base dos sobreiros!

 

 

Por fim temos outra espécie residente, que vive em bandos de vários membros e a sua plumagem é de um preto muito brilhante e de especto sedoso… O estorninho-preto (Sturnus unicolor). Carismático e barulhento o estorninho pertence à família Timaliidae, gosta de se alojar para época primaveril perto de quintas e habitações. Além destes lugares, esta ave utiliza uma vasta gama de habitats, desde campos agrícolas a olivais. Como as duas anteriores, é uma espécie que gosta de nidificar em cavidades, que vão desde as árvores às fendas em penhascos. A sua postura é tipicamente entre 3 a 5 ovos.

 

 

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