A correspondente da Wilder Mafalda Ferreira de Lima ficou desconfiada com a agitação das gralhas junto a um sobreiro e resolveu investigar. E valeu bem a pena! 

 

Era um dia normal. Cumpria as minhas tarefas diárias matinais pela quinta quando me apercebi que algo se passava no montado. Um bando de gralhas sobrevoava as copas do sobreiros e, como aviões a despinhar, investiam para o meio dos ramos voltando depois a descolar… Resolvi ir buscar a câmara fotográfica e investigar.

Foi com grande espanto que me apercebi que estava um animal encurralado no topo de um sobreiro..  Era uma gineta.

 

 

As gralhas, territoriais como são, não gostaram de a ver ali e, ao fim de várias investidas, conseguiram que ela se afastasse. Dada a sua rapidez e agilidade, infelizmente não consegui fotografar com qualidade!

A gineta (Genetta genetta) é um carnívoro de médio porte pertencente à família de viverrideos, com uma aparência única e inconfundível na fauna ibérica. Com pernas curtas, um corpo alongado de cor acinzentada coberto por manchas mais escuras espalhadas em padrão. Um dos traços mais curiosos no seu físico é a cauda muito longa e espessa, adornada com  anéis pretos (8 a 10). Esta atinge um comprimento superior  ao do seu corpo e cabeça juntos.

 

 

De hábitos nocturnos, a gineta caça de forma ágil e silenciosa. Ajudada pela sua longa cauda (que lhe confere equilíbrio) e unhas retracteis consegue saltar de árvore em árvore com precisão e destreza.  Esta capacidade aliada ao seu apurado olfato e audição muito fina, fazem deste animal um caçador exímio e certeiro. As suas presas são fundamentalmente os roedores e, no Outono, complementa ilustragi2a sua dieta com alguns frutos, como os medronhos.

O seu habitat é, por isso, essencialmente florestal, estando ausente de zonas urbanizadas ou desprovidas de mato. Como predadores tem a águia-real, o bufo-real, o lobo-ibérico e agora também o lince-ibérico.

Na realidade, a sua principal ameaça encontra-se na sucessiva destruição do seu habitat e na diminuição da população de coelhos-bravos devido a doenças como a mixomatose. Ainda assim, esta magnífica espécie não se encontra em perigo e está inserida na lista dos animais extritamente protegidos.

 

Curiosidades:

As ginetas selvagens vivem dos 6 aos 8 anos, podendo alcançar, em cativeiro, os 15 anos.

As marcas corporais da gineta funcionam como as nossas impressões digitais; cada individuo apresenta um padrão distinto.

Os seus grandes olhos e orelhas largas são armas essenciais para o sucesso da sua vida nocturna.

 

 

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