Foto: José Frade

Aves do mês: O que ver em Junho

Cinco aves a não perder em Junho, seleccionadas por Gonçalo Elias e fotografadas por José Frade. Saiba o que estão a fazer este mês, como identificá-las e onde procurá-las. Observar aves nunca foi tão fácil.

Em Junho prossegue a reprodução das aves. É agora mais fácil encontrar juvenis nascidos este ano. No caso das espécies mais pequenas, muitas dedicam-se agora à segunda postura. Tal como habitualmente, deixamos aqui uma selecção de cinco espécies de aves que poderá ver este mês.

1. Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

Perdiz-do-mar. Foto: José Frade

O que está a fazer em Junho: As posturas das perdizes-do-mar aconteceram sobretudo em Abril e Maio. Considerando que a incubação dura três semanas e que os juvenis só voam com um mês de idade, então em Junho deverá haver muitos juvenis não voadores. Contudo, as crias são nidífugas, saindo do ninho apenas 2 ou 3 dias depois de nascerem.

Esta graciosa limícola, de tons castanhos, apresenta a particularidade de se alimentar em voo. Faz lembrar uma andorinha gigante, com as suas asas longas e pontiagudas e a cauda bifurcada. Quando está pousada, nota-se o bico vermelho e preto bastante curto, a garganta amarela com um colar preto e as partes superiores castanhas.

A perdiz-do-mar nidifica em áreas abertas e relativamente planas, cultivadas ou não, e muitas vezes na proximidade de zonas húmidas. Alimenta-se em voo, em geral perto de zonas alagadas, como caniçais, arrozais, lagoas, salinas, albufeiras ou pauis.

O nome comum desta espécie, “perdiz-do-mar”, é um pouco bizarro, uma vez que não é uma perdiz nem vive no mar. É possível que ele tenha surgido por tradução do francês “perdrix de mer” ou do italiano “pernice di mare” e que a explicação esteja na suposta semelhança da plumagem desta ave com a da perdiz-vermelha.

Onde ver: Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, albufeira do Caia (Elvas), salinas de Castro Marim.

2. Rola-brava (Streptopelia turtur)

Rola-brava. Foto: José Frade

O que está a fazer em Junho: A época de reprodução da rola-brava é bastante alargada e estende-se, pelo menos, de Maio até Agosto; assim, durante o mês de Junho, deverá haver ninhos com ovos ou com crias.

Esta rola é mais pequena que o pombo-doméstico e que a rola-turca. Apresenta uma plumagem menos uniforme, sobretudo no dorso e nas asas, com um padrão malhado alaranjado. No pescoço, tem um conjunto de riscas pretas e brancas, que apenas se vê a curta distância. Em voo, nota-se o ventre claro, que contrasta com o resto do corpo, mais escuro.

Pode ser vista numa grande variedade de habitats, tanto florestais como mistos. Parece preferir as zonas onde haja um misto de terrenos agrícolas e manchas de vegetação arbórea, nomeadamente pinhais, carvalhais, montados e matas ribeirinhas; também aparece em parques de grandes dimensões.

A rola-brava é uma espécie cinegética, mas, desde 2021, a caça a esta espécie encontra-se suspensa. Esta medida visa contribuir para a recuperação populacional destas aves, cujas populações diminuíram fortemente ao longo das últimas décadas.

Onde ver: Trás-os-Montes, Parque Florestal de Monsanto (Lisboa), Sagres (na migração).

3. Andorinhão-pálido (Apus pallidus)

Andorinhão-pálido. Foto: José Frade

O que está a fazer em Junho: Embora os andorinhões-pálidos cheguem cedo ao nosso país, a sua época de reprodução é muito prolongada, dado que o desenvolvimento das crias no ninho é muito lento; assim ao longo deste mês os juvenis ainda não deverão ter efectuado o seu primeiro voo.

Tem o mesmo tamanho que o andorinhão-preto, com o qual pode facilmente misturar-se e confundir-se, especialmente em más condições de luminosidade. Distingue-se sobretudo pelos tons acastanhados da plumagem, pelo contraste entre as primárias mais escuras e as secundárias mais claras, pela maior extensão de branco no queixo, pelo padrão mais escamoso e pelas asas mais arredondadas.

No litoral, ocorre principalmente em áreas urbanas e em falésias costeiras e a sua distribuição é ampla, devido à grande disponibilidade de habitat. Este inclui tanto zonas habitadas, como sejam cidades ou vilas, mas também locais menos povoados, como as falésias costeiras, podendo aqui nidificar em grutas, como acontece na serra da Arrábida, no litoral alentejano e no Algarve. 

Estudos de anilhagem realizados em Portugal com recurso a data loggers (geolocalizadores) permitiram concluir que estes andorinhões passam o Inverno na África ocidental e central, ao longo de uma vasta área que se estende desde o Mali até à Nigéria.

Onde ver: Lisboa, Setúbal, Aveiro.

4. Papa-figos (Oriolus oriolus)

Papa-figos. Foto: José Frade

O que está a fazer em Junho: O papa-figos é uma ave migradora que chega relativamente tarde ao nosso país e a sua reprodução só deverá ter início em Maio; assim, ao longo do mês de Junho deverá ainda haver muitos ninhos com ovos, mas noutros já poderá haver crias.

Do tamanho de um tordo, o papa-figos identifica-se facilmente pelo corpo amarelo-vivo, contrastando com as asas e a cauda pretas. A fêmea e o juvenil apresentam tons mais esverdeados. O bico é vermelho. Esta espécie é, contudo, difícil de ver, fazendo-se notar principalmente pelo seu canto aflautado.

O papa-figos distribui-se por todo o país, mas a sua abundância é muito variável. Ocorre em densidades relativamente elevadas nas regiões mais secas, preferindo zonas dominadas por árvores de copa bem desenvolvida. Frequenta também matas ripícolas, carvalhais maduros, bosques mistos, lameiros, pomares e montados de sobro ou de azinho.

Apesar do seu nome, os papa-figos não se alimentam apenas de figos. Na verdade, a sua dieta é composta sobretudo por invertebrados, particularmente de grandes lagartas de borboletas que encontram no alto das copas das árvores; no entanto, no Verão também consomem frutos.

Onde ver: Miranda do Douro, Castelo de Vide, Alcoutim.

5. Andorinha-dáurica (Cecropis daurica)

Andorinha-dáurica. Foto: José Frade

O que está a fazer em Junho: A nidificação da andorinha-dáurica em Portugal não foi estudada em detalhe, contudo pensa-se que neste mês já haja juvenis nos ninhos e que alguns deles já realizem os seus primeiros voos.

Apresenta uma plumagem alaranjada nas partes inferiores, no uropígio e na nuca, contrastando com o resto da plumagem preta. A cauda é fortemente bifurcada, característica que partilha com a andorinha-das-chaminés, mas distingue-se desta pelo uropígio alaranjado e pelas infracaudais escuras. 

Pode ser vista numa grande variedade de habitats e parece ter alguma preferência por áreas com pouca presença humana e por vales de rios e ribeiras com zonas escarpadas. Também ocorre em planícies e, ocasionalmente, em zonas de montanha. Evita as zonas densamente florestadas, ocorrendo apenas na orla destas ou em clareiras.

A ocorrência da andorinha-dáurica em Portugal é relativamente recente e na primeira metade do século XX esta ave era desconhecida no nosso país. O primeiro registo de nidificação foi realizado apenas em 1951, na região de Portel, por Henry W. Coverley. Ao longo das décadas seguintes a espécie foi-se expandindo pelo resto do território nacional, primeiro no interior e, posteriormente, nas zonas costeiras também.

Onde ver: Douro Internacional, Marvão, Mina de São Domingos (Mértola), entre muitos outros locais.


Agora é a sua vez.

Parta à descoberta destas espécies e envie as suas fotografias, com a data e a localidade, para o email [email protected]. No final do mês publicaremos uma galeria com as suas imagens e descobertas!