Gaio (Garrulus glandarius). Foto: Sergio Chozas
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Junte-se aos cientistas e ajude a descobrir mais animais e plantas em Lisboa e Almada

Nestes próximos dias, vão realizar-se dois bioblitzs em busca de animais, plantas e líquenes junto à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e no Parque da Paz, em Almada. Fique a saber o que está previsto e como participar.

Nesta quinta-feira, dia 26, vai realizar-se um bioblitz nos terrenos da zona da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Esta acção de ciência cidadã está aberta a qualquer pessoa que queira participar, incluindo quem mora e trabalha nesta zona, além da comunidade da FCUL e dos especialistas nos diferentes grupos de espécies.

Ao longo da manhã, das 8h30 às 12h30, quem se inscrever vai ter ajuda na identificação de aves, insectos, líquenes, anfíbios e peixes. Depois das 14h00, seguem-se os répteis, mamíferos e plantas.

Gaio (Garrulus glandarius) fotografado na zona da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Foto: Sérgio Chozas

Este vai ser o primeiro bioblitz aliado ao projecto “+Biodiversidade @CIÊNCIAS: Mobilizar a comunidade de CIÊNCIAS para a promoção da sustentabilidade no Campus”, explicou à Wilder Patrícia Tiago, ligada à organização desta iniciativa, e responsável pela plataforma Biodiversity4All.

“A ideia do projeto é monitorizar as espécies que existem no Campus, uma vez que muitas ainda não foram registadas. Também será útil para termos uma base de trabalho que possa ser usada por professores e alunos da faculdade”, indicou a investigadora do cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais.

A orquídea erva-abelha (Ophrys apifera) é uma das espécies mais observada no campus da Faculdade de Ciências, em Lisboa. Foto: Nilfanion/Wiki Commons

Desde Novembro de 2020, no âmbito do projecto +Biodiversidade @CIÊNCIAS foram identificadas no campus da FCUL 597 espécies diferentes com grau de pesquisa, ou seja, que estão confirmadas e podem usar-se para fins científicos.

As mais comuns foram o melro-preto (Turdus merula), a orquídea erva-abelha (Ophrys apifera), a exótica azeda (Oxalis pes-caprae), o rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros) e o loendro (Nerium oleander).

Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros), nos terrenos junto à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Foto: Sérgio Chozas

Mas por ali também se têm visto muitas poupas (Upupa epops), orquídeas erva-língua-menor (Serapias parviflora), línguas-de-ovelha (Plantago lanceolata), líquen Xanthoria parietaria e até mesmo rãs-verdes (Pelophylax perezi).

A poupa é uma das aves mais registadas na zona da Faculdade de Ciências, em Lisboa. Foto: Helena Geraldes

“Acho que a maioria das pessoas não faz ideia da grande quantidade de espécies – por exemplo, aves ou orquídeas – que existem nas cidades e de que o número de espécies já registadas é impressionante”, notou também a investigadora, que espera “aumentar o número de espécies para aquele local”.

Há uma nova meta para Almada

Quanto ao Bioblitz do Parque da Paz, em Almada, a quinta edição realiza-se este domingo, entre as 9h00 e as 22h30. “Costuma ter bastantes participantes e quase todos temos registado espécies que ainda não estavam registadas na plataforma Biodiversity4All”, lembrou Patrícia Tiago, ligada à organização desta iniciativa em parceria com a Câmara Municipal de Almada.

Logo pela manhã deste sábado, quem se inscrever vai procurar-se aves a partir das 9h00, com a ajuda de ornitólogos. Ao longo do dia, vão seguir-se insectos e outros invertebrados, répteis e anfíbios, líquenes, flora e vegetação, mamíferos, aves nocturnas e morcegos. Patrícia Tiago sublinha que desta vez haverá ainda um um grupo novo: moluscos aquáticos e caracóis.

A galinha-d’água (Gallinula chloropus) é uma das espécies com mais registos no Parque da Paz, em Almada. Foto: Alexis Lours

O desafio lançado, desta vez, é “chegar às 1000 espécies registadas” neste parque municipal de 50 hectares, o maior parque verde do concelho de Almada. Até hoje foram ali observadas 880 espécies diferentes, das quais 601 já foram validadas e têm grau de pesquisa.

As mais comuns? Pato-real (Anas platyrhyncos), galinha-d’água-comum (Gallinula chloropus), ganso-do-Egipto (Alopochen aegyptiaca), melro-preto (Turdus merula) e pombo-torcaz (Columba palumbus).

osga sobre o que parece ser um muro ou parede
A invasora tartaruga-da-Flórida (Trachemys scripta) (em cima) e a osga-comum (Tarentola mauritanica) estão entre as espécies mais observadas no Parque da Paz. Fotos: Diego Delso e Kolforn/Wiki Commons

Entre as espécies mais observadas estão ainda o guincho-comum (Chroicocephalus ridibundus), o chapim-azul (Cyanistes caeruleus), a invasora tartaruga-da-Flórida (Trachemys scripta), o mergulhão-pequeno (Tachybaptus ruficollis) e também a osga-comum (Tarentola mauritanica).

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.