Arribas do rio Douro. Foto: Domingos Leitão

Cinco razões para ir ao festival ObservArribas em Miranda do Douro

Para fazer

A terceira edição do ObservArribas – Festival Ibérico de Natureza nas Arribas do Douro está quase a chegar, no final deste mês, de 31 de Maio a 2 de Junho. A Wilder falou com Vanessa Oliveira, ligada à organização deste evento, e diz-lhe porque deve marcar na agenda este acontecimento que liga os dois lados da fronteira luso-espanhola, no Nordeste Transmontano.

 

Este ano, o ObservArribas vai mudar-se para o Largo do Castelo, dentro das muralhas de Miranda do Douro, ficando mais acessível para todos os que visitam esta cidade em pleno Parque Natural do Douro Internacional. Será nesse largo que se vão concentrar a feira de produtos e serviços de natureza e as exposições e palestras – estas últimas na Casa da Música Mirandesa – e também daqui que vão partir algumas saídas de campo.

O ObservArribas é organizado em parceria pelos parceiros do projecto Life Rupis – coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) – e pela Câmara Municipal de Miranda do Douro. Com a ajuda de Vanessa Oliveira, da SPEA, conheça cinco razões para visitar a terceira edição deste festival.

 

1. Observar as grandes aves sem ser na TV:

águia-perdigueira, de frente

Águia-perdigueira. Foto: Paco Gómez/Wiki Commons

 

Ao longo dos três dias do festival, vai ter várias oportunidades para ver ao vivo as aves que o projecto Life Rupis pretende conservar e que estão entre as espécies mais emblemáticas desta região. Em causa estão o abutre-do-Egipto (também conhecido por britango) e a águia-perdigueira (ou águia-de-Bonelli), mas também o milhafre-real, os grifos e o abutre-preto, entre outros, muitas das quais fazem ninhos nas arribas escarpadas cavadas pelo rio Douro. Por esta altura do ano, muitas crias já nasceram e algumas praticam os seus primeiros voos. Pode ir observá-las por exemplo num dos vários cruzeiros fluviais pelo Douro (como este) ou num passeio em caiaque, organizados por várias empresas locais. Ou então, juntar-se a uma das muitas saídas de campo, como é o caso do circuito internacional dos miradouros à volta de Miranda, ou de um passeio que junta a observação de aves à cultura mirandesa, ambos no sábado de manhã. Durante o fim-de-semana, haverá ainda oportunidades para aprender a reconhecer o canto das aves (aqui e aqui, por exemplo) e também para procurar as espécies nocturnas.

 

2. Ajudar os cientistas portugueses na luta pela conservação:

Pisco-de-peito-ruivo. Foto: Genevieve Leaper, RSPB

 

Perceber qual é a situação de cada espécie de ave – onde é que pode ser observada e como está a evoluir a sua população, por exemplo – é um dos primeiros passos para ajudar a conservá-la. Tanto o III Atlas das Aves Nidificantes como o Censo de Aves Comuns são projectos de ciência cidadã abertos a todos os interessados. Nestes workshops, no âmbito do festival, pode aprender como participar.

 

3. Conhecer bem de perto o projecto Life Rupis: 

cão à procura de veneno

Demonstração “Cães CSI”. Foto: Joaquim Teodósio/SPEA

 

O Life Rupis está a poucos meses de chegar ao final, mas muitas das acções entretanto lançadas, que contribuem para a conservação do abutre-do-Egipto e da águia-perdigueira – entre outras espécies de fauna – vão permanecer no futuro. Durante o festival pode conhecer de perto algumas iniciativas financiadas por este projecto apoiado por fundos comunitários, e também os parceiros responsáveis. É o caso das visitas para conhecer o restauro de pombais antigos, essenciais para as águias-perdigueiras, e da ida a um dos campos de alimentação tão importantes para o abutre-do-Egipto e outras aves necrófagas, em Mogadouro. Outro acontecimento a não perder: a demonstração feita por uma das equipas cinotécnicas da GNR que procuram e detectam venenos ilegais, no âmbito do Life Rupis, no sábado ao final da tarde.

 

4. Conviver com a cultura de Trás-os-Montes:

 

dois-burros-um-dos-quais-juvenil-pastam

Burros-mirandeses. Foto: Cláudia Costa

 

Os três dias do ObservArribas não se fazem apenas de aves e de natureza, mas também de muita música e cultura, como não podia deixar de ser nesta região de tradições fortes. Haverá saídas para conhecer os projectos de protecção do burro mirandês (aqui e aqui por exemplo), saídas com pastores da região e também oficinas ligadas à tosquia de ovelhas e fabrico de lãs (aqui), uma das novidades deste ano. Isto sem esquecer os espectáculos de dança e música no Largo do Castelo.

 

5. Fazer uma viagem diferente em família: 

Ao longo do festival, que também acolhe alunos de escolas da região logo no primeiro dia, 31 de Maio, estão previstas várias iniciativas voltadas para os mais pequenos. Jogos ligados ao burro de Miranda e oficinas sobre as aves de Portugal são algumas das acções dirigidas especificamente às crianças, no Largo do Castelo. Mas as crianças mais crescidas também vão gostar de participar nos passeios ou na mostra de cinema ambiental, tal como os adultos. Aí, poderão assistir às imagens fascinantes do novo documentário “Portugal, Património Natural” (Daniel Pinheiro) ou ver o filme “Pólo Norte – O Degelo Final” (Pedro Rego) e conhecer os realizadores, na sexta-feira à noite e no sábado à tarde. Para sexta-feira à tarde, ainda a confirmar, está também prevista a devolução de uma ave à natureza, pelo CERVAS/ALDEIA.

 

Saiba mais.

Muitas das actividades pedem inscrição prévia, que pode ser feita online até dia 25 de Maio. No site do ObservArribas, pode conhecer o programa do festival em detalhe e inscrever-se e também consultar alojamentos e restaurantes com os quais o festival tem parceria.