Foto: Sandra Frazão

Que espécie é esta: Um escorpião dentro de casa

A leitora Sandra Frazão encontrou já vários escorpiões dentro de casa, no distrito de Viseu, e pediu ajuda sobre o que fazer. Pedro Sousa responde.

 

“É a quarta vez que encontro um escorpião dentro da minha casa, 3 deles eram pequenos mas este último que mando foto em anexo era grande, estando dentro do meu quarto”, descreveu Sandra Frazão, numa mensagem enviada à Wilder.

“É perigoso? O que devo fazer? É normal haver assim estes insectos?”, perguntou também a leitora, que vive no concelho de Mangualde, distrito de Viseu.

Trata-se de um escorpião do género Buthus, como os outros que se conhecem em Portugal.

Foto: Sandra Frazão

Espécie identificada e texto por: Pedro Sousa, biólogo com um vasta experiência na identificação de espécies de aranhas e de escorpiões autóctones de Portugal.

Já expliquei antes sobre as dificuldades de identificar as três espécies de escorpiões descritas para Portugal, por isso é preferível não o fazer. Essa identificação não é importante pois não há registros de diferenças no grau de venenosidade em Portugal, ou mesmo na Península Ibérica, entre escorpiões deste género.

O que se sabe é que a picada é bastante dolorosa, e que se deve ter especial cuidado com os mais novos e mais idosos ou com pessoas de saúde fragilizada. E há ainda a hipótese de uma reação alérgica a algum componente do veneno, reação que acontece também muitas vezes com o veneno das abelhas, por exemplo.

Imagino que a leitora viva numa das zonas do país com elevada densidade de escorpiões.
O exemplar que fotografou parece ser um macho e estes tendem a deslocar-se mais, assim como os escorpiões juvenis, que a leitora também observou dentro de casa.

Quanto a recomendações, é difícil pois imagino que a leitora more numa casa térrea, dado que os escorpiões portugueses não são particularmente bons escaladores. Podem escalar superfícies rugosas se necessário e é possível observar juvenis a trepar gramíneas, mas nunca os observei a trepar paredes até grandes alturas.

O que posso recomendar é que a leitora mantenha a porta fechada ou pelo menos, que possa colocar um obstáculo com cerca de 10 cm de altura na zona da porta, para que os animais não entrem durante o período do pôr do sol até ao nascer do sol, que é quando estão ativos. Pode também remover das proximidades das paredes da casa materiais onde os escorpiões se possam esconder durante o dia, como lenha ou pedras.

Para se sentir mais segura, pode também comprar uma lanterna de luz UV, de preferência com luz próxima dos 395nm (já quase no espectro da luz visível), pois essa luz torna os escorpiões muito mais fáceis de ver à noite, dado que brilham quando irradiados com esse tipo de luz (o seu exoesqueleto é fluorescente).

Os escorpiões alimentam-se de vários insectos e outros invertebrados e são por isso parte importante dos ecossistemas terrestres onde existem. Espero que a leitora possa aceitar isto e que permita que os escorpiões que existem nos terrenos à sua volta, suficientemente afastados de sua casa, aí continuem.

 


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie-nos para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.