Foto: Loey Felipe/ONU

Apelo de Greta Thunberg recebido com fracos resultados na cimeira do clima

Monitor

A sueca Greta Thunberg, símbolo internacional da consciência climática da juventude, discursou ontem na cimeira climática da ONU em Nova Iorque mas as suas palavras não suscitaram a resposta esperada junto dos líderes políticos.

“Não deveria estar aqui, deveria estar na escola, do outro lado do oceano”, disse a estudante de 16 anos em ano sabático, num discurso emocionado na abertura da cimeira organizada pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. O objectivo da iniciativa que decorreu ontem, dia 23 de Setembro, era relançar o acordo de Paris, assinado em Dezembro de 2015. 

“Como se atrevem? Vocês roubaram os meus sonhos e a minha infância com as vossas palavras ocas.”

“Mas os jovens começam a compreender a vossa traição”, disse Greta Thunberg. “Se decidirem decepcionar-nos, digo-vos: nunca vos perdoaremos.”

Muito aplaudida, a jovem deu o lugar a 60 dirigentes que anunciaram novos compromissos para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. 

Sebastián Piñera, Presidente do Chile, anunciou a criação de uma Aliança de Ambição Climática, que reunirá países decididos a reforçar as acções de luta contra as alterações climáticas em 2020, para chegar a 2050 com zero emissões de dióxido de carbono. Este grupo inclui 65 países, 10 regiões, 102 cidades, 93 empresas e 12 investidores.

Mas, no geral, muitos limitaram-se a resumir as acções que já têm a decorrer, consideradas insuficientes, em vez de anunciar o fim do carvão ou um calendário acelerado para conseguir electricidade 100% limpa.

Ainda assim, 66 Estados subscreveram em princípio uma neutralidade carbónica até 2050, anunciou a ONU. Mas tratam-se, sobretudo, de pequenos países e de países em desenvolvimento. Além disso, estes compromissos continuam a ser, em maioria, declarações de princípio.

“O apelo emocionado de Greta para o bom senso, para ouvir e agir com base na Ciência, foi ignorado”, comentou Jennifer Morgan, da Greenpeace, à agência de notícias francesa AFP.

Até o Papa Francisco, no Vaticano, lamentou os compromissos “demasiado vagos” assumidos pelos Estados nos últimos quatro anos.

No arranque da cimeira, António Guterres tinha declarado que “já chega de conversa. Esta não é uma cimeira de negociação climática. Não se negoceia com a natureza. Esta é uma cimeira de acção climática”.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, na abertura da cimeira. Foto: Loey Felipe/ONU

Nem o Brasil nem os Estados Unidos participaram nesta cimeira, sem contar com os breves minutos em que o Presidente norte-americano Donald Trump apareceu na plateia, para surpresa de todos.

Por outro lado, nem a China nem a Índia – campeões das eólicas e do solar, mas que continuam a “devorar” carvão – assumiram novos compromissos.

Os últimos cinco anos foram o período mais quente jamais registado no planeta, segundo um relatório publicado neste domingo pela ONU. A Terra está, em média, 1ºC mais quente do que no século XIX. Estima-se que em 2100 estará 3ºC mais quente, se forem cumpridos os actuais compromissos.

Para que o aumento médio da temperatura se limite aos 1,5ºC, os esforços dos países deverão ser multiplicados por cinco, estima a ONU.