Belavista foi libertada e vai ajudar na conservação dos abutres-pretos do Douro Internacional

Belavista (à esq.), acompanhada por um grifo. Foto: ICNF

Uma jovem fêmea de abutre-preto foi libertado a 29 de Outubro no Parque Natural do Douro Internacional, depois de vários meses em tratamento.

Baptizada de Belavista, esta abutre com cerca de seis meses de idade já não anda sozinha. A acompanhá-la de longe estão agora técnicos da Vulture Conservation Foundation (VCF) e do projecto LIFE Rupis, através do aparelho GPS que lhe foi colocado.

Vai ser possível saber, por exemplo, se Belavista está de novo em apuros – como sucedeu quando foi resgatada em Fafe, no norte do país, e transferida para o Centro de Recuperação de Fauna Selvagem do Gerês. Nessa unidade, gerida pelo Instituto Nacional de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), deu entrada “em avançado estado de caquexia”, ou seja, perda de peso e de massa muscular acentuada.

Foi depois transferida para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, onde “após 10 dias difíceis pôde começar a comer normalmente e rapidamente recuperou o peso”, relata esta entidade no Facebook.

O resto da recuperação fez-se num outro centro de recuperação animal – o CIARA em Torre de Moncorvo – acompanhada de dois grifos que foram com ela devolvidos à natureza no mesmo dia, no Miradouro do Carrascalinho.

Foto: ICNF

“Informação valiosa”

Agora, o novo aparelho GPS que Belavista transporta, financiado pela VCF, pesa só 30 a 40 gramas mas “dá informação valiosa que vai providenciar mais dados para a realização de acções de conservação eficazes”, indica uma nota divulgada por esta organização internacional.

Belavista (à esq.), acompanhada de um dos grifos libertados no mesmo dia. Foto: ICNF

“Podemos compreender os movimentos das aves, as áreas e hábitos de procura de alimentos, e perceber se um abutre já não se está a mexer e está potencialmente ferido.” Dessa forma, acrescentam, é possível avaliar e reduzir as ameaças que esta ave enfrenta e ajudar no regresso da espécie.

Durante 40 anos, entre 1970 e 2009, não nasceram abutres-pretos (Aegypius monachus) em Portugal, afastados por várias ameaças, incluindo a perda de habitat e os choques com linhas eléctricas.

Actualmente existem cerca de 35 casais reprodutores, divididos por três núcleos no país: Tejo Internacional, Baixo Alentejo e vale do Douro Internacional. Este último é o mais pequeno e também o mais recente. Foi em 2012 que se assistiu ali “à instalação de uma pequena colónia de abutre-preto, com o progressivo aumento de indivíduos residentes e de número de casais nidificantes”, recorda por sua vez o ICNF, numa nota sobre a libertação de Belavista.

O primeiro casal terá chegado ao Douro vindo das colónias mais próximas em Espanha, “um salto de cerca de 100 quilómetros” desde a Serra de Gata. “Em 2019 foram instaladas várias plataformas artificiais e confirmou-se a existência de pelo menos mais um casal. Em 2020 a população nidificante corresponde a dois casais confirmados e um casal possível”, detalha o instituto.

Até agora já foram instalados 10 aparelhos de seguimento remoto em abutres-pretos, em Portugal, mas apenas seis estarão a funcionar. O primeiro foi um jovem abutre na Herdade da Contenda, no Alentejo, em 2018, por iniciativa da Liga para a Protecção da Natureza. Este ano, o mesmo aconteceu a sete crias no Tejo Internacional.