Pescada da espécie Merluccius merluccius. Ilustração: Marcus Elieser Bloch

Cientistas espanhóis investigam a história antiga da pescada

Uma equipa analisou o ADN de 1.205 peixes pertencentes às 11 espécies de pescada conhecidas por todo o mundo.

Os resultados deste estudo indicam que o antepassado comum das diferentes espécies de pescada terá vivido há cerca de 50 milhões de anos, nas águas da Gronelândia.

A investigação foi desenvolvida por cientistas do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO), da Universidade de Vigo, da Universidade Autónoma de Barcelona e do Instituto de Ciências do Mar de Barcelona. As conclusões foram publicadas em Maio na revista Scientific Reports.

Os fósseis mais antigos conhecidos de uma pescada datam do Oligoceno Médio, há cerca de 30 milhões de anos, quando começaram a surgir ecossistemas semelhantes aos que existem hoje em dia.

De acordo com as análises genéticas agora realizadas, a pescada norte-americana Merluccius bilinearis será a mais antiga do género. A equipa concluiu que a distribuição dessa espécie deveria “estender-se desde a Gronelândia para sul, através de um Oceano Atlântico ainda incipiente, até alcançar o Oceano Pacífico”.

Depois, essa espécie mais antiga ter-se-á dividido em duas linhagens distintas, que no estudo são chamadas de “novo mundo” e “velho mundo”, o que aconteceu devido à expansão geológica do Oceano Atlântico.

Mais tarde, “eventos geológicos posteriores, como o fecho da via marítima do Panamá há 3,5 milhões de anos, actuaram como barreira geográfica entre as duas linhagens e favoreceram a especiação.”

O artigo agora publicado sugere também uma origem comum para 14 espécimes que representam nove morfotipos de pescada raros do Pacífico Sul e do Atlântico Sul. Um morfotipo é uma variação local de uma espécie.

“Parece que a hibridação é recorrente em regiões adjacentes e de sobreposição pelo que ainda se podem encontrar novos morfotipos raros”, indicou Montse Pérez, autora principal do artigo e investigadora no Centro Oceanográfico de Vigo. “É um marco histórico termos conseguido esta informação a partir de amostras guardadas em museu, ainda que continuem a existir lacunas de conhecimento na taxonomia da pescada.”

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.