Reconstrução artística da nova espécie de vampirópodo. Autor: Katie Whalen

Cientistas estudam antepassado do polvo que já vivia antes dos dinossauros. Tinha 10 braços

Investigadores do Museu Americano de História Natural descreveram agora para a Ciência o Syllipsimopodi bideni, baptizado em honra do Presidente americano, Joe Biden.

Em causa está um fóssil de um vampiropodo com 328 milhões de anos – o mais antigo descoberto até hoje. Estes cefalópodes são conhecidos como os antepassados dos polvos actuais e também das chamadas lulas-vampiro.

Depois de ter ficado guardado num museu durante várias décadas, uma equipa de dois paleontólogos – Christopher Walen e Neil Landman – teve a sorte de deparar com este fóssil “extremamente bem preservado” num pedaço de calcário, descoberto no estado do Montana no final dos anos 80. Como os vampiropodos têm corpos moles, dificilmente se encontram bons fósseis destes antigos animais, explica numa publicação o Museu Americano de História Natural.

Fóssil que serviu de base ao estudo, guardado nas colecções do Royal Ontario Museum, ao qual foi doado em 1988. Foto: S. Thurston/© AMNH

Através de uma análise cuidada, descobriram que este vampiropodo tinha vivido cerca de 82 milhões de anos antes do mais antigo fóssil destes cefalópodes já estudado até então, colocando-o numa época anterior aos dinossauros, há 328 milhões de anos.

Por outro lado, “este é o primeiro e único vampiropodo conhecido que possui 10 apêndices [tentáculos] funcionais”, explica um dos co-autores do artigo científico, Christopher Whalen. Os polvos na actualidade têm oito tentáculos.

O estudo foi publicado na revista Nature Communications e descreve este antepassado do polvo, que parece também ter possuído dois tentáculos mais longos que os restantes oito, e será a primeira confirmação de que os ancestrais dos cefalópodes possuíam uma dezena de braços.

“Não é inconcebível que tenham usado os seus braços revestidos por ventosas para caçar pequenos amonóides para fora das suas conchas [conhecidos também por amonitas, eram moluscos cefalópodes que já se extinguiram] ou para se aventurarem para mais perto da costa para caçarem branquiópodes, bivalves e outros animais marinhos com concha”, considera Whalen.

A equipa concluiu que esta espécie pertence a um novo género e baptizou-a com o nome científico Syllipsimopodi bideni, em honra do Presidente americano. O nome do género, Syllipsimopodi, deriva das palavras gregas “syllípsimos”, que significava “preênsil”, e “pódi”, que corresponde a “pé”, porque este “foi o cefalópode mais antigo conhecido que desenvolveu ventosas, permitindo que os braços, que são modificações dos pés dos moluscos, agarrassem melhor nas presas e noutros objectos.”

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.