Foto: Fundação Urso Pardo

Cinco regiões europeias querem provar convivência entre seres humanos e lobos e ursos

Conservação

Lobos, ursos, linces, glutões e seres humanos conseguem conviver no mesmo território e é isso mesmo que cinco regiões europeias, incluindo a Península Ibérica, vão provar através de um projecto apresentado esta semana.

 

LIFE EuroLargeCarnivores, projecto coordenado pela WWF Alemanha e que inclui 16 parceiros, foi apresentado ontem na conferência internacional Pathways a decorrer em Goslar (Alemanha) de 16 a 19 de Setembro. Investigadores, conservacionistas, caçadores, representantes de administrações públicas e grupos de interesse estão reunidos para encontrar soluções para os conflitos que se geram com a fauna selvagem em todo o mundo.

Pela primeira vez esta conferência, financiada pela Universidade Estatal do Colorado (EUA), realiza-se na Europa.

Durante o evento foi apresentado o “LIFE EuroLargeCarnivores – melhorando a coexistência com grandes carnívoros na Europa através da comunicação e da cooperação transfronteiriça“, cujos grandes objectivos são dar a voz a quem trabalha para solucionar estes problemas e mostrar que é possível haver convivência entre as actividades humanas e os grandes carnívoros, explica a WWF em comunicado. Segundo a organização, o sucesso passa por usar as ferramentas adequadas e pela cooperação internacional.

Como parte do projecto, a WWF lançou uma plataforma online, em 26 idiomas, que pretende compilar testemunhos sobre a convivência entre o ser humano e carnívoros como o lobo, o lince-europeu, o lince-ibérico, o urso e o glutão.

O projecto LIFE vai estender-se até 2022 e abrange 16 países europeus, divididos em cinco regiões prioritárias: Alpes, Cárpatos, Escandinávia, Península Ibérica e Europa Central.

“As políticas europeias de conservação estão a conseguir que as espécies que fazem parte da cultura europeia estejam a regressar aos seus territórios antigos”, disse Luis Suárez, responsável pelas Espécies na WWF Espanha. “Isto implica recuperar práticas tradicionais que permitam a coexistência com as actividades num meio cada vez mais complexo. Estou convencido de que a coexistência é possível, mas exige a nossa vontade para nos adaptarmos e para agir.”