Foto: Guilherme Ramos

Qual será a vencedora? Estamos todos convidados a votar na Planta do Ano 2024

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Organizada pela Sociedade Portuguesa de Botânica, a votação deste ano faz-se entre três novidades nesta área científica, em Portugal. Fique a saber quais e como foram descobertas.

Qualquer pessoa pode votar na sua planta favorita no âmbito desta eleição online, que teve início a 12 de Fevereiro e se prolonga até dia 28.

Na corrida, estão três novidades da flora de Portugal Continental identificadas em 2023: duas espécies novas para a Ciência – pombinhas-do-guadiana (Linaria pseudamethystea) e erva-toira-de-noudar (Orobanche nepetae) e um novo registo para a flora portuguesa, que já tinha sido encontrado em Espanha, o funcho-limão (Foeniculum sanguineum).

As pombinhas-do-guadiana foram descritas há cerca de um ano, a 23 de fevereiro de 2023, na revista Phytotaxa por uma equipa de investigadores das Universidades de Granada e Almeria. A espécie ocorre apenas no sudoeste ibérico, conhecendo-se, em Portugal, no Algarve e Baixo Alentejo interior e em Espanha nas províncias de Huelva e Sevilha. A sua distribuição sobrepõe-se parcialmente à de L. amethystea.

Pombinhas-do-guadiana. Foto: Miguel Porto/Flora-On

Quanto à erva-toira-de-noudar, foi encontrada por acaso durante um passeio que Miguel Porto, da Sociedade Portuguesa de Botânica, fez perto de Barrancos, no Baixo Alentejo. Trata-se de uma “flor grande que sai do chão”, descreveu Miguel Porto à Wilder, quando foi anunciada a descoberta. É muito colorida, com as flores em tons de amarelos, rosa e laranja que surgem em Maio. Não faz fotossíntese, não é verde. “Parece uma orquídea. Mas não é, não tem nada a ver.”

Erva-toira-de-noudar. Foto: Miguel Porto

Por fim, o funcho-limão foi encontrado em Portugal por um jovem estudante, Guilherme Ramos, depois de ser descrito em 2015 para a ciência por um investigador espanhol. Este endemismo ibero-magrebino, assim chamado por existir apenas no Norte de África e na Península Ibérica, tem as suas pequenas flores em tons laranja e avermelhados, diferentes das flores amarelas do funcho comum. Para já, acredita-se que esta planta pode ser encontrada a norte do Tejo, entre Lisboa e a Mealhada.

Funcho-limão. Foto: Guilherme Ramos

Dar visibilidade ao Portugal botanicamente desconhecido

A votação pode fazer-se online, aqui, e os resultados com a planta vencedora vão ser anunciados a 29 de fevereiro.

O objetivo da eleição deste ano é alertar para “a necessidade de valorizar os conhecimentos de florística e taxonomia em Portugal, que se encontram à margem dos currículos académicos e das principais vias de financiamento científico”, indica a Sociedade Portuguesa de Botânica (SPBotânica).

Esta organização sublinha que “vivemos uma nova vaga de descobertas acelerada por ferramentas como o iNaturalist”, pela fotografia digital e pelo acesso a novas ferramentas, como por exemplo o portal Flora-On e a plataforma Biodiversity4All, que revolucionaram o ritmo de produção e acumulação de conhecimento sobre a nossa flora na última década, alargando também a comunidade botânica”.

“Dar um nome é um passo necessário para a conservação de qualquer espécie”, afirma também a SPBotânica, que lembra que “três em cada quatro plantas por descrever correrem sérios riscos de extinção”. E por isso, salienta, é “fundamental” continuar com “o trabalho de florística e taxonomia necessários ao inventário da diversidade vegetal, com o objetivo de a melhor compreender e salvaguardar.”

A equipa organizadora desta eleição lembra ainda que “Portugal ainda é uma fronteira fértil para a descoberta de novidades botânicas, desde novas plantas para as floras provinciais e nacional até novas espécies para a ciência”. Em 2023, a arméria-do-sado foi a planta eleita.

Inês Sequeira

Foi com a vontade de decifrar o que me rodeia e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista e que estou, desde 2022, a fazer um mestrado em Comunicação de Ciência pela Universidade Nova. Comecei a trabalhar em 1998 na secção de Economia do jornal Público, onde estive 14 anos. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água”. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.