Primeiro prémio do concurso de fotografia. Foto: Guilherme Ramos

Estas foram as imagens vencedoras do primeiro concurso de fotografia de cigarras

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Os resultados finais foram apurados a partir de uma votação online, para o público escolher as melhores entre dez imagens finalistas.

Esta competição foi organizada pelo grupo de investigadores do projecto Cigarras de Portugal, ligado à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O concurso, que se realizou neste último Verão, esteve aberto a profissionais e a amadores. Cada concorrente podia submeter até três fotografias de 11 espécies que se encontram em Portugal, excluindo apenas as duas mais comuns: cegarrega (Cicada orni) e cigarra-comum-do-sul (Cicada barbara).

Entre as fotos recebidas dos 13 concorrentes que cumpriram as regras da competição, um júri formado por investigadores da equipa das Cigarras de Portugal escolheu dez imagens “com base em critérios de qualidade estética e interesse científico”. Essas fotos finalistas foram então votadas pela Internet, com um total de 271 votações online consideradas válidas, que resultaram nos três grandes vencedores.

Descubra as três fotografias que receberam mais votos e fique a saber qual é a história de cada uma:

1.º Prémio: Macho de timpanista-compositora (Tympanistala gastrica), por Guilherme Ramos

Primeiro prémio do concurso de fotografia. Foto: Guilherme Ramos

Guilherme Ramos, estudante na Escola D. Pedro V, em Lisboa, tirou a fotografia vencedora num  descampado pertencente às Termas dos Cucos, a cerca de um quilómetro do Rio Sizandro, em Torres Vedras. “Era a primeira vez que eu tinha ido a este local, mas certamente que não foi a última”, disse à Wilder, acrescentando que já ali regressou outras vezes para pesquisas pessoais.

Quanto a esta timpanista-compositora, “foi complicado tirar as fotografias pois estava um dia ventoso”. O cantar desta espécie é diferente dos restantes, semelhante a um tambor, e daí o seu nome comum: timpanista. A primeira cigarra que Guilherme ouviu estava “num local de difícil acesso”, num pinheiro-manso, e por isso não a conseguiu fotografar. A 200 metros voltou a ouvir o mesmo som, num arbusto rasteiro, mas a luz era pouca para boas imagens.

“Decidi capturar o exemplar para o fotografar num local mais iluminado. Coloquei-o na mão e tirei várias fotografias de diferentes ângulos.” Por pouco tempo; passados cerca de dois minutos, a cigarra voou para um arbusto próximo.

2.º Prémio: Fêmea de cegarregão (Lyristes plebejus) a colocar ovos

Segundo prémio do concurso de fotografia. Foto: Jorge Gonçalves

Jorge Gonçalves, 59 anos, é desenhador e vive no concelho de Tomar. Tirou esta curiosa fotografia no dia 1 de Agosto no concelho de Ourém, “numa zona pouco povoada”, perto da Praia Fluvial do Agroal.

“É um lugar com uma impressionante população de cigarras, a maioria Cicada orni (cigarra-comum) mas onde facilmente encontramos Lyristes plebejus (cegarregão). Sendo a vegetação local maioritariamente baixa e havendo pouca presença humana, existem condições muito boas para fazer observações e registos fotográficos interessantes”, descreveu à Wilder.

Foi durante um passeio a meio do Verão que Jorge reparou que várias cigarras fêmeas pousavam em plantas comuns na zona, flectindo o abdómen. Em casa, ao analisar as fotografias que tinha tirado, e com ajuda de especialistas do iNaturalist, concluiu “que seria o acto de oviposição”.

“No passeio seguinte já saí com o propósito de fotografar uma cigarra em plena oviposição. Munido de teleobjectiva para não causar muita perturbação, passei pelos locais onde existiam as plantas favoritas das cigarras e a oportunidade de fotografar uma cigarra (Cicada orni ou Lyristes plebejus) como pretendia surgiu naturalmente.”

“Gosto especialmente desta foto pelo que ela representa, a continuidade da espécie”, considera também.

3.º Prémio: Macho de cigarra-da-Serra-da-Estrela (Tettigettalna estrellae)

Terceiro prémio do concurso de fotografia. Foto: Luís Guilherme Sousa

Luís Guilherme Sousa, 33 anos, é biólogo e mestre em Biologia da Conservação e actualmente faz parte do Serviço de Conservação da Natureza e Educação Ambiental de Lousada.

A fotografia de uma cigarra-da-Serra-da-Estrela, espécie também conhecida como cigarra-do-Norte, foi conseguida em Junho, em Lousada. “Encontrei-a graças ao seu canto”, indicou à Wilder. Apesar de tirar fotos há muitos anos, raras vezes Luís se tinha sentido tentado a participar em concursos. Desta vez, a decisão foi essa “por haver poucos registos desta espécie”. “Quando registei este indivíduo em foto e vídeo houve um grande interesse por parte dos investigadores”, explicou à Wilder.  

Com efeito, esta espécie é endémica de Portugal, o único país do mundo onde pode ser encontrada, nomeadamente no Interior Centro e no Norte.


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Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa dos meus pais. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.