EUA: Rede de herbários digitaliza três milhões de espécimes que agora são gratuitos e acessíveis

Uma rede de mais de 100 herbários do Sul dos Estados Unidos terminou recentemente a tarefa hercúlea de digitalizar mais de três milhões de espécimes recolhidos por botânicos e naturalistas nos últimos 200 anos.

O projecto, financiado pela National Science Foundation, faz parte de um trabalho que está a ser feito por instituições de História Natural por todo o mundo para tornar as suas colecções biológicas acessíveis a investigadores que estudam padrões de evolução, extinção de espécies, alterações climáticas, entre outros temas.

Cientistas podem usar o ADN preservado em espécimes de herbário, como este Trillium erectum colhido há quase 100 anos no Tennessee. Foto: Herbário da Universidade do Tennessee

Num estudo publicado na revista Applications in Plant Sciences, investigadores envolvidos no projecto analisaram o ritmo a que os espécimes podem ser eficientemente fotografados, digitalizados e inseridos na base de dados para avaliar quanto poderão custar esforços semelhantes no futuro.

“Todos os que têm interesse nisto reconheceram desde muito cedo a quantidade de trabalho e de dinheiro de que estamos a falar”, disse, em comunicado, Joey Shaw, curador do herbário da Universidade de Tennessee em Chattanooga e autor do artigo.

Apesar de os esforços de digitalização estarem em curso desde o início do século, até hoje ninguém tinha desenvolvido uma base de trabalho para determinar quanto custa pôr estas colecções online, sublinhou o investigador.

“Ninguém tinha tentado saber quantos espécimes se podem catalogar por minuto”, especificou.

Este tipo de informação pode ser crucial para instituições mais pequenas manterem as suas colecções, apesar dos seus orçamentos reduzidos, explicou Shaw.

Com centenas de milhares de espécimes agora acessíveis gratuitamente online, Shaw espera que as suas informações possam ajudar outros herbários.

Herbário do Museu Nacional de História Natural e Ciência. Foto: Wilder/arquivo

Todas as instituições parceiras neste estudo são membros da SouthEast Regional Network of Expertise and Collections (SERNEC), que apoia mais de 200 herbários na região e que, em conjunto, albergam 15 milhões de espécimes. A maioria ainda terá de ser digitalizada.

Com a perda de habitats devido à urbanização e desflorestação, os herbários oferecem aos investigadores uma janela valiosa para ecossistemas já destruídos. Muitas colecções incluem espécimes que já estão extintos na natureza, enquanto outras permitiram a descoberta de novas espécies.

À medida que a temperatura média global aumenta, os cientistas estão a recorrer cada vez mais aos herbários para analisar os efeitos que as alterações climáticas estão a ter nas plantas.

“Os biólogos têm acumulado dados sobre espécies por todo o mundo, em forma de espécimes biológicos, desde pelo menos o Renascimento. E ainda hoje continuamos esta prática”, notou Shaw. 

“Este nosso trabalho pretende converter os dados desses espécimes biológicos numa base de dados gratuita e acessível. Será a maior base de dados sobre a biodiversidade do planeta e hoje ainda estamos longe de imaginar as questões sobre investigação, conservação e gestão que poderão ser respondidas graças a ela.”