Foto: Joana Bourgard/Wilder (arquivo)

FAPAS denuncia “gravíssimo atentado” a área protegida

Monitor

A associação receia os impactos de um complexo turístico e habitacional que está a ser projectado para São Jacinto, em Aveiro.

O FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens) denuncia, em comunicado enviado ontem à Wilder, que o projecto para os terrenos dos antigos estaleiros de São Jacinto agora anunciado é “um gravíssimo atentado” a esta área protegida e à envolvente da Ria de Aveiro.

A notícia foi avançada pelo Jornal Notícias de Aveiro, a 7 de Julho. Segundo este jornal, os terrenos adquiridos por uma promotora imobiliária “constituem toda a frente de ria dos antigos estaleiros, incluindo a zona construída (atualmente em ruínas), totalizando cerca de 40.000m2”.

Em causa está o “impacto visual da volumetria proposta” e o “aumento de carga sobre o território, nomeadamente circulação rodoviária e náutica e de pessoas numa área já congestionada durante o Verão”. 

Além do mais, acrescenta, o empreendimento está paredes-meias com a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, criada em 1979 numa área dunar e de Mata Nacional começada a florestar em 1888, também ela rica em biodiversidade.

O FAPAS lembra ainda outros fatores a ter em conta, nomeadamente a “progressiva erosão da costa, a previsível subida das águas do mar (e da ria) e a construção sobre uma língua arenosa formada há cerca de dez séculos e cuja futura evolução geomorfológica se desconhece”.

“Estamos a falar de um empreendimento que, um dia, fruto dos rigores da natureza ou da evolução cultural, seria demolido às custas do erário público, qual prédio ‘Coutinho II'”.

A obra está prevista para os terrenos dos antigos estaleiros de São Jacinto, numa zona envolvente à Ria de Aveiro, área com “um conjunto de habitats preciosos para a conservação da biodiversidade”. O FAPAS defende que, para essa zona – actualmente ao abandono -, poderia ser instalado um parque verde e área de equipamentos da freguesia de São Jacinto.

“Seria uma boa ocasião para promover o turismo ecológico e para recuperar e valorizar a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, um dos principais, senão o principal, atrativo da freguesia.”

O FAPAS apela às entidades com jurisdição sobre este território – nomeadamente à Câmara Municipal de Aveiro, ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, à Comissão de Coordenação da Região Centro, à Administração do Porto de Aveiro, à Pólis Litoral e à Junta de Freguesia de São Jacinto – para que “rejeitem liminarmente este projeto e desenvolvam uma alternativa que acautele o interesse legítimo dos proprietários dos terrenos mas, em especial, acautele o interesse público”.