Pangolim. Foto: David Brossard

Investigadores descobrem fóssil de nova espécie de pangolim na Europa

Hoje, apenas existem pangolins na Ásia e em África. Mas nem sempre foi assim. Investigadores descobriram um úmero de uma nova espécie de pangolim que terá vivido na Europa no Pleistoceno, foi hoje revelado.

Uma equipa de investigadores confirmou aquilo que até agora era apenas uma hipótese: esta espécie existiu na Europa durante o Pleistoceno (período que vai desde há 2.6 milhões de anos até há 11.700 anos), ou seja, até bem mais tarde do que se pensava até agora.

A nova espécie é a Smutsia olteniensis e partilha várias características únicas com outros membros vivos do género Smutsia, que hoje vivem apenas em África.  

O osso, um úmero, veio de Grăunceanu, uma jazida rica em fósseis no Vale do Rio Olteţ, na Roménia. A sua descoberta foi publicada na revista  Journal of Vertebrate Paleontology.

O novo espécime descrito a partir do fóssil da espécie Smutsia olteniensis. Foto: Claire Terhune

“Não é um fóssil impressionante”, comenta, em comunicado, Claire Terhune, professora de antropologia na Universidade norte-americana do Arkansas. “É apenas um único osso mas é uma nova espécie de um animal um pouco peculiar. Estamos orgulhosos porque o registo fóssil de pangolins é muito escasso. Este é o mais recente pangolim descoberto na Europa e o único fóssil de pangolim da Europa do Pleistoceno”, acrescentou.

Durante quase uma década, Terhune e uma equipa internacional de investigadores focaram a sua atenção em Grăunceanu e em outros locais de Olteţ. Esses locais, inicialmente descobertos por causa de desabamentos de terras nos anos 1960, produziram fósseis de uma grande variedade de espécies de animais, incluindo um grande macaco, uma girafa de pescoço curto, rinocerontes, tigres-de-dente-de-sabre e agora uma nova espécie de pangolim.

“O que é especialmente entusiasmante é que apesar de algum trabalho dos anos 1930 ter sugerido a presença de pangolins na Europa durante o Pleistoceno, esses fósseis perderam-se e a comunidade científica começou a duvidar da sua credibilidade”, explicou a investigadora. “Agora sabemos com certeza que havia pangolins na Europa há pelo menos dois milhões de anos.”

Este novo fóssil de pangolim tem entre 1.9 e 2.2 milhões de anos. A sua identificação é importante porque investigações anteriores sugeriam que os pangolins tinham desaparecido dos registos paleontológicos europeus durante o Mioceno Médio, ou seja, há cerca de 10 milhões de anos. Pensava-se que os pangolins tinham sido empurrados para ambientes mais tropicais ou sub-tropicais por causa das tendências globais de arrefecimento.

Pangolim. Foto: David Brossard

Hoje, os pangolins apenas vivem na Ásia e em África. Segundo a organização WWF (World Wildlife Fund) são oito espécies, classificadas desde a categoria Vulnerável à Criticamente Em Perigo.

Muitas vezes consideradas papa-formigas com escamas, os pangolins têm escamas da cabeça à cauda e são, frequentemente, tomados como répteis. Mas na verdade são mamíferos e estão mais próximos dos carnívoros.

São um dos animais mais traficados em todo o mundo.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.