Investigadores vão estudar como tornar as nossas florestas mais resilientes aos fogos

Floresta. Foto: Aymanjed Jdidi/Pixabay
Floresta. Foto: Aymanjed Jdidi/Pixabay

A partir de Outubro e durante 18 meses, uma equipa da Universidade de Aveiro vai tentar perceber como podemos tornar as florestas resilientes aos incêndios num cenário de alterações climáticas, no âmbito do novo projecto FoRES.

De 1 de Janeiro a 31 de Julho arderam em Portugal 58.354 hectares, segundo dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Uma equipa da Universidade de Aveiro vai dedicar-se, a partir de Outubro, ao projecto de investigação FoRES – Desenvolvimento da Resiliência das Florestas aos incêndios num cenário de alterações climáticas. “Este projeto tem como objetivo a diminuição do potencial de propagação de incêndios florestais”, promovendo a resiliência das áreas florestais, segundo um comunicado daquela universidade, e é financiado pelo programa ambiente das EEA Grants.

Os investigadores vão testar diferentes estratégias de gestão florestal para determinar qual delas maximiza a resiliência das áreas florestais à propagação de incêndios florestais, capacidade de sequestro de CO2 e retenção da humidade do solo.

Para isso será usado um modelo de simulação atmosférica que inclui efeitos relacionados com a vegetação e solo, associado a um modelo de propagação do fogo, explicou David Carvalho, investigador do Centro de Estudos do Ambiente do Mar (CESAM) e do Departamento de Física da UA, que irá coordenadar o FoRES.

A zona de estudo será a Zona de Intervenção Florestal da Lombada, no município de Bragança, com 650 hectares, que faz parte da rede de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP).

“O FoRES também contribuirá para mitigar a degradação do solo e a desertificação em áreas queimadas, investigando o risco de degradação do solo em cenários de clima e uso do solo futuros, com foco especial na severidade do incêndio, resiliência da vegetação/solo e erosão pós-incêndio, incluindo medidas de estabilização de emergência”, explica ainda o comunicado.

Este trabalho de investigação inclui a colaboração entre a academia e os agentes locais e regionais, incluindo a Associação de Produtores Agrícolas Tradicionais e Ambientais (APATA) que gere a AIGP onde decorrerão os trabalhos de campo.

O projeto FoRES será coordenado pelo CESAM e envolve investigadores do Departamento de Física, Departamento de Ambiente e Ordenamento e Departamento de Biologia.

Os parceiros do projeto incluem o Laboratório Colaborativo para Gestão Integrada da Floresta e do Fogo (ForestWISE) e um parceiro norueguês do “Norwegian Institute of Bioeconomy Research” (NIBIO). O financiamento do projeto é feito através do Programa “Ambiente, Alterações Climáticas e Economia de Baixo Carbono” do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu 2014-2021 (EEA Grants) que contribui para a prossecução das prioridades da Política do Ambiente em Portugal: transição para uma economia circular, resiliente e neutra em carbono e valorização do território.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.