Mocho-anão. Foto: Frank Vassen/Wiki Commons

Lista das Aves de Espanha cresce para 638 espécies

O documento da organização espanhola SEO Birdlife ganhou agora mais 19 espécies em relação a 2019, incluindo raridades como o mocho-anão e o bufo-mourisco.

A Lista de Aves de Espanha contém as espécies de aves que oficialmente formam o conjunto de avifauna naquele país e que são certificadas pelo Grupo de Taxonomia da SEO Birdlife, organização espanhola dedicada ao estudo e conservação das aves.

“A Lista das Aves de Espanha é um inventário actualizado que contribui para o conhecimento da nossa biodiversidade e que tem, além do mais, implicações para a conservação”, sublinha Miguel Rouco, coordenador do Grupo de Taxonomia, citado num comunicado da SEO Birdlife. “Os avanços taxonómicos, que se reflectem na lista, podem guiar os esforços para preservar populações com um alto grau de diferenciação genética; por outro lado, a constatação de que há novas espécies invasoras constitui um sinal para que se iniciem medidas que impeçam a sua proliferação.”

O novo documento foi apresentado esta quinta-feira e contém mais 19 espécies do que a anterior versão, de 2019, quando da lista faziam parte 622 aves diferentes. Saíram outras três.

Mocho-anão. Foto: Frank Vassen/Wiki Commons

“As raridades, aves com avistamentos muito escassos no nosso país, constituem aproximadamente um terço das espécies da lista e são a base do seu crescimento”, explica a organização ambiental espanhola. Algumas das espécies que foram pela primeira vez avistadas em Espanha, e que entram para o documento, são o mocho-anão (Glaucidium passerinum), o bufo-mourisco (Bubo ascalaphus) e o milhafre-preto (Milvus aegyptius).

O mocho-anão, considerado o mocho mais pequeno da Europa, é uma ave ligada ao norte boreal, mas nos Pirinéus centrais parece agora existir “um pequeno núcleo reprodutor, ou mesmo colonizador”, indica a SEO Birdlife. Quanto ao bufo mourisco, foi “surpreendentemente localizado” em plena cidade de Melilha, uma cidade autónoma espanhola localizada no Norte de África. E por sua vez o milhafre-preto, também de origem africana, foi fotografado a sobrevoar a ilha de Tenerife, nas Canárias.

Milhafre-preto. Foto: Leyo/Wiki Commons

Pintarroxo-mexicano prestes a estabelecer-se

Já o pintarroxo-mexicano (Carpodacus mexicanus) entra para a lista por ser uma ave exótica que está prestes a estabelecer-se em território espanhol. Esta ave de interesse comercial está a espalhar-se a partir da cidade de Murcia, no Sudeste, e terá chegado à natureza devido a fugas de cativeiro.

“O estabelecimento desta espécie no nosso país pode resultar em problemas de conservação, como já tem acontecido com outras espécies”, avisa a SEO Birdlife.

Pintarroxo-mexicano. Foto: Susan Rachlin/Wiki Commons

Mas não são apenas raridades e aves exóticas que entraram agora para a lista oficial de avifauna espanhola. Outra das principais razões são as alterações de taxonomia, que afectam também os nomes comuns. “Às vezes simplesmente modifica-se a nomenclatura acrescentando-se o adjectivo ‘ocidental’ ou ‘oriental’ ao nome; noutras vezes, substitui-se a segunda parte do nome pela local da sua área de distribuição”, explica Miguel Rouco.

Foi o que aconteceu em cinco casos, como o ganso-campestre, que se divide agora em duas espécies: ganso-campestre-da-tundra (Anser fabalis) e ganso-campestre-da-taiga (Anser serrirostris), segundo o habitat em que nidificam. Já a freira-do-bugio (Pterodroma deserta), que nidifica nas Desertas, passou a ser considerada uma espécie autónoma, endémica do arquipélago madeirense, e separada das populações de Cabo Verde (Pterodroma feae). Esta ave marinha madeirense visita por vezes o território espanhol.

Freira-do-bugio, no arquipélago da Madeira. Foto: Christoph Moning/Wiki Commons

Segundo a SEO Birdlife, também a toutinegra-carrasqueira (Curruca iberiae) – que ocorre igualmente em Portugal – se elevou a espécie. O mesmo aconteceu com o chasco-mourisco (Oenanthe seebohmi), que era considerado uma subespécie do chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe), enquanto que o chasco-ruivo (Oenanthe hispanica) se dividiu em duas novas espécies: o chasco-ruivo-ocidental e o chasco-ruivo-oriental.

Por fim, houve ainda algumas mudanças de nome na lista, muitas delas reflectindo simplificações. Em contrapartida, saíram três espécies: o sabiá-da-praia (Mimus gilvus), a felosa-fluvial (Locustella fluviatilis) e o falcão-tagarote (Falco pelegrinoides), este último por motivos taxonómicos.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.