grifos num rochedo
Grifos. Foto: Dave Massie/Wiki Commons

Matança de 56 abutres em Espanha deveu-se a envenenamento com pesticida proibido na União Europeia

Análises realizadas pelo Serviço de Toxicologia e Veterinária Forense da Universidade de Murcia identificaram a intoxicação com carbofurano como provável causa de morte de 54 grifos, um abutre-preto e um milhafre-preto, descobertos em Salamanca há uma semana.

As aves foram encontradas na manhã de 23 de Junho na localidade de Monterrubio de Armuña, na zona de Salamanca, depois de terem consumido carne de ovelha deixada no local.

As autoridades encontraram também 41 aves ainda vivas mas “com prognóstico reservado” – 38 grifos e três abutres-pretos – que começaram a ser tratadas logo no sítio por equipas de veterinários.

Nesse mesmo dia, as amostras de tecido e de sangue de vários dos abutres que morreram e também de duas ovelhas foram enviadas para o STVF – Serviço de Toxicologia e Veterinária Forense da Universidade de Murcia. “Devido à extrema gravidade do caso”, esta unidade “activou um procedimento de investigação forense de urgência” com o objectivo de “fornecer no mais rápido tempo possível informação útil” às autoridades, informou no último sábado o STVF, em comunicado.

Três dias depois, nesta terça-feira, a Junta de Castela e Leão, órgão de governo e administração daquela comunidade, anunciou que os resultados preliminares desta análise em laboratório confirmam o uso de carbofurano como possível causa de morte.

“O Serviço de Toxicologia e Veterinária Forense da Faculdade de Veterinária da Universidade de Murcia confirmou a presença de carbofurano em todas as amostras remetidas”, indicou, referindo-se à análise realizada aos cadáveres de três grifos, um abutre-preto e um milhafre-preto e ainda de duas ovelhas. Em causa está “um dos pesticidas carbamatos mais tóxicos e de uso proibido na União Europeia (UE) desde Dezembro de 2007”.

Nos próximos dias, está prevista a realização de mais necropsias noutros exemplares mortos e análises em busca de outros possíveis produtos tóxicos.

A investigação destas mortes, de acordo com a Junta, seguiu o protocolo previsto pelo Plano de Acção para a erradicação do uso ilegal de riscos envenenados no meio natural em Castela e Leão. Cumprindo esse protocolo, o episódio “foi comunicado e coordenado a todo o momento com o Seprona – Serviço de Protecção da Natureza da Guarda Civil, que continuará as investigações, e imediatamente se deu a transferência do mesmo para o Ministério Público”.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.