Foto: Helena Geraldes/Wilder

Plano de Restauro da Malcata quer rearborizar a serra com espécies autóctones

Conservação

A rearborização da serra com espécies autóctones e a contratação de mais guardas florestais são dois dos objectivos do novo Projecto de Protecção e Restauro de Espécies e Habitats Prioritários para a Malcata, que vai ser aplicado nestes próximos três anos.

 

Em causa está “um investimento da ordem dos 400 mil euros para uma área protegida com elevado interesse para a conservação da natureza e biodiversidade”, indica uma nota enviada à Wilder pelo gabinete do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

O plano que vai ser apresentado esta sexta-feira, numa sessão presidida pelo ministro em Penamacor, vai ser executado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em parceria com os municípios de Penamacor e do Sabugal. Isto de acordo com uma resolução do Conselho de Ministros aprovada pelo Governo a 21 de Outubro, que deu luz verde às linhas gerais do projecto.

Assim, segundo o diploma, pretende-se “reduzir a área invadida por espécies exóticas (Acacia dealbata e Acacia menaloxylon), numa extensão com cerca de cinco hectares”. Ao mesmo tempo, o ICNF vai “proceder ao fomento dos povoamentos florestais com espécies autóctones” e avançar com o “restauro e conservação de habitats naturais, adoptando as melhores práticas disponíveis” – medidas para as quais estão destinados cerca de 25.000 euros.

 

Viveiro da Malcata vai ser restaurado

Uma peça fundamental para este plano vai ser a reabilitação e modernização do viveiro florestal da Malcata, que pertence ao ICNF, e que vai fornecer as árvores e arbustos para reflorestar uma parte da serra. Para este projecto respeitante ao viveiro estão estimados 59.800 euros, o que inclui comprar novos equipamentos e “remover as coberturas em amianto”.

O Ministério do Ambiente prevê que este viveiro, que se situa no Centro de Educação Ambiental da Sra da Graça (Sabugal), venha a produzir espécies autóctones que vão ser replantadas não só na Malcata, mas também noutras áreas protegidas de Portugal.

A prevenção estrutural e vigilância da área é outro dos pontos do novo projecto, representando um investimento de 60.000 euros. Este dinheiro vai ser utilizado na realização de fogo controlado, na “criação de faixas de gestão de combustível em mosaico” e na limpeza de trilhos, mas também para “semear espécies florísticas e forrageiras adequadas”, entre várias medidas.

Em cima da mesa está também a contratação de uma nova equipa do Corpo Nacional de Agentes Florestais com o número previsto de cinco agentes, que vai ser apresentada na sessão desta sexta-feira. Estes guardas vão ter como papel executar as medidas previstas no terreno, ou seja, prevenir a ocorrência de incêndios (tratando por exemplo da recuperação e limpeza de acessos), recuperar os habitats, vigiar o terreno e participar nas operações de rescaldo.

Além da contratação desta nova equipa está ainda planeada a compra de uma viatura e de outros equipamentos para os guardas florestais – tudo por cerca de 230.000 euros, mais de metade dos 400.000 euros que vão ser aplicados neste projecto nos próximos três anos. O dinheiro em causa deverá ser financiado através de fundos comunitários do POSEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos) e pelo Fundo Ambiental.

 

Mais quatro projectos semelhantes

Para além da Serra da Malcata, o Governo pretende avançar ainda com outros quatro projectos semelhantes de restauro e protecção contra incêndios em diferentes áreas protegidas: Parque Natural do Douro Internacional e Monumento Natural das Portas do Ródão – ambos atingidos por incêndios em 2017 – e ainda os Parques Naturais do Tejo Internacional e de Montesinho. Estes projectos vão juntar-se ao plano piloto para o Parque Nacional da Peneda-Gerês, criado no final de 2016, na sequência dos incêndios ocorridos nessa área protegida.

A Reserva Natural da Serra da Malcata foi criada em Outubro de 1981, devido à “existência no seu território de valores botânicos e faunísticos de incontestável interesse e tendo como principal objectivo a conservação do lince ibérico”, recorda o diploma aprovado em Outubro passado.

No total, a área protegida tem cerca de 16.348 hectares, que abrangem parte dos concelhos de Penamacor e do Sabugal, e que na sua maioria não pertencem ao Estado, uma vez que estão nas mãos de privados. Ainda assim, este “é dono e gestor de uma área de território significativa.”