Cavalo-marinho do Estuário do Sado. Foto: Emanuel Gonçalves

O que vai ser dos cavalos-marinhos? Investigadores estudam efeitos das alterações climáticas

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Investigadores do MARE-Ispa analisaram os efeitos das alterações climáticas em cavalos-marinhos-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) do Estuário do Sado, que vão agora ser devolvidos ao seu meio natural.

 

Os primeiros resultados desta investigação indicam que a exposição destes animais a temperaturas elevadas, acima da temperatura máxima que encontram no seu habitat, poderão ter grandes custos energéticos e levar a uma diminuição da sua condição corporal.

Depois de terem ficado temporariamente alojados no Biotério de Organismos Aquáticos do Ispa, para um estudo sobre o efeito das alterações climáticas, estes cavalos-marinhos vão ser devolvidos ao Estuário do Sado esta quarta-feira, dia 20.

Cavalos-marinhos no Biotério do ISPA. Foto: Miloslav Petrtyl

“Apesar dos cavalos-marinhos terem resiliência térmica e capacidade de adaptação a curto prazo, o gasto de energia que a exposição a temperaturas mais elevadas pode acarretar, a médio-longo prazo, poderá trazer consequências ao nível do crescimento e sobrevivência da espécie”, explica Ana Margarida Faria, investigadora do MARE-Ispa e coordenadora do estudo, num comunicado deste laboratório de investigação.

“Os indivíduos expostos às temperaturas mais elevadas revelaram maior actividade e maior ingestão de alimento; no entanto, este aporte energético extra não foi suficiente para suprir as necessidades provocadas pelo stress térmico, tendo-se observado a perda de peso nestes casais”, acrescenta por sua vez Miguel Correia, investigador do MARE-Ispa e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN [SPS SG]).

Em condições laboratoriais controladas, casais desta espécie de cavalo-marinho foram expostos a temperaturas mais altas, de forma a simular o efeito provocado pelas alterações climáticas previstas para o final deste século.

Estuário do Sado

Estes cavalos-marinhos são provenientes do estuário do Sado, um dos maiores estuários e hotspots de biodiversidade da Europa, onde foram detectados cavalos-marinhos de duas espécies: o cavalo-marinho-de-focinho-comprido Hippocampus guttulatus e o cavalo-marinho-comum Hippocampus hippocampus. No entanto, pouco se sabe sobre a sua distribuição, abundância, densidade, diversidade, ameaças ou a sua relação com o habitat.

Em Portugal, as comunidades de cavalos-marinhos da Ria Formosa são as mais estudadas, e na última década os números baixaram cerca de 90%. Estas espécies, tal como as pradarias marinhas, que são o seu habitat preferencial, estão hoje ameaçadas e protegidas por leis nacionais e internacionais, pelo que “é de crítica importância aumentar o conhecimento científico sobre estas espécies prioritárias para a conservação”, indica o MARE-Ispa.

“É absolutamente urgente e fundamental recolher dados científicos sobre os cavalos-marinhos no estuário do Sado, para que se possam tomar decisões e aplicar medidas de mitigação e de conservação, com base científica”, sublinha Gonçalo Silva, que é também investigador no mesmo centro.

“Para além da necessidade de conservação destas espécies que estão em perigo, o seu carisma perante a sociedade faz delas espécies-bandeira, usadas em ações de sensibilização e de conservação da biodiversidade marinha, gerando um efeito positivo como um todo”.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.