Foto: Gabriel Barathieu

Polvo dançarino vence concurso Underwater Photographer of the Year

 

Gabriel Barathieu, mergulhador francês, estava com água pelos joelhos quando fotografou um polvo que parecia bailar enquanto caçava as suas presas numa laguna da pequena ilha de Mayotte, no Oceano Índico.

 

Foi essa a imagem vencedora na edição deste ano do concurso internacional ‘Underwater Photographer of the Year’ (Fotógrafo Subaquático do Ano de 2017), agora anunciada.

Barathieu recorda-se do momento em que captou esta imagem, que arrecadou o primeiro prémio num concurso internacional em que competiram mais de 4.500 fotografias subaquáticas, enviadas por fotógrafos de 67 países diferentes.

“Tive de esperar por uma baixa-mar na altura das marés vivas (‘spring low tide’, no original em inglês), quando a água tem só 30 centímetros de profundidade, para que o polvo enchesse toda a coluna de água”, explica Barathieu, numa nota enviada pelos organizadores do concurso.

Foi quando o mergulhador francês se aproximou tanto quanto possível do polvo que nesse momento estava a caçar, com uma objectiva grande angular para registar a imagem, “o que faz com que o polvo pareça enorme.”

 

Foto: ©Gabriel Barathieu/UPY2017

 

Um dos membros do júri, Alex Mustard, nota que a fotografia “foi tirada com água pelos joelhos, o que mostra que a fotografia subaquática está aberta a qualquer pessoa que esteja preparada para mergulhar os dedos dos pés na água”.

Quanto ao polvo, a forma como o animal se move “é tão diferente de qualquer predador em terra, que isto poderia na verdade ser um alienígena de outro mundo”.

O concurso para o Underwater Photographer of the Year realiza-se anualmente, desde 1965, e coloca em competição fotografias captadas debaixo de água no mar, em lagos, rios e até mesmo em piscinas.

Estes são alguns dos vencedores este ano:

 

Up & coming Underwater Photographer of the Year: Horacio Martinez, Argentina – “Oceanic in the Sky”

 

Foto: ©Horacio Martinez/UPY2017

 

O júri decidiu que o fotógrafo argentino Horacio Martinez merecia o prémio destinado ao novo talento mais promissor da competição, com esta imagem fotografada no Egipto. “Reparei neste tubarão-galha-branca-oceânico a patrulhar à distância e exposto aos raios do sol, e fiquei contente com o efeito semelhante a um sonho. […] Queria capturar a solidão aparente [destes tubarões oceânicos] no grande azul”, descreve Martinez.

 

Grande Angular: Ron Watkins, EUA – “One in a Million”

 

Foto: ©Ron Watkins/UPY2017

 

“No ultimo Verão fomos até ao Alaska à procura de tubarões-salmão. Foi quando encontrámos um enorme ajuntamento de enormes medusas-da-lua que se estendia por várias centenas de metros […] e passámos horas na água com elas”, conta Ron Watkins, dos Estados Unidos. “Encontrei esta água-viva-juba-de-leão a subir para a superfície e posicionei-me directamente por cima para capturar esta imagem.”

 

Macro: So Yat Wai, Hong Kong – “Prey?”

 

Foto: ©So Yat Wai/UPY2017

 

Esta fotografia tirada nas Filipinas, durante um mergulho nocturno, retrata (no lado esquerdo) uma larva de camarão estomatópode (‘mantis shrimp’, em inglês). So Yat Wai, que fotografou, lembra que esta espécie “é muito pequena, mas ainda é um predador que usa os seus apêndices […] para caçar”. “Será que reparou na presa e está pronto para atacar?”.

 

Comportamento: Qing Lin, Canadá – “Your home and my home”

 

Foto: ©Qing Lin/UPY 2017

 

Qing Lin queria fotografar os parasitas isópodos que vivem na boca dos peixes-palhaço. Teve sorte com estes três peixes, que “muito curiosos” se puseram “a dançar à frente da lente da máquina”. Ainda assim, “foram necessários seis mergulhos, paciência e sorte para capturar o momento exacto em que os três peixes abriram as bocas para revelar os convidados.”

 

Retrato: Lorincz Ferenc, Hungria – “Face to face”

 

Foto: ©Lorincz Ferenc /UPY2017

 

Esta imagem foi captada no Parque Nacional Rash Mohamed, no Egipto, no Mar Vermelho. Lorincz Ferenc já tinha desistido de fotografar um grande cardume de peixes-morcego, uma vez que estava rodeado de outros mergulhadores por todos os lados, quando reparou na fissura de uma rocha que os peixes usavam para se limparem. “”Devagar, muito devagar, nadei para a abertura, trocando de lugar com o peixe que se limpava. Isso tornou possívei fotografar este peixe-morcego de frente.”

 

[divider type=”thin”]Saiba mais.

Conheça as histórias de um tubarão-azul e do perfil de um cavalo-marinho, este último responsável pelo primeiro lugar ganho por um fotógrafo português neste concurso internacional em 2015.

 

 

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.