Foto: MozamPete/Wiki Commons

Pressão aumenta para caça comercial de hipopótamos ser banida

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Dez países africanos avançaram com uma proposta para que seja proibido o comércio internacional do marfim e de  outras partes dos hipopótamos, de forma a impedir que a situação da espécie piore ainda mais.

 

República Centro-Africana, Níger, Senegal, Gabão e Mali são alguns dos países signatários do documento que defende que os hipopótamos passem a estar incluídos no anexo I da CITES, a convenção internacional que regula o comércio internacional de animais e flora selvagens em perigo.

A nova proposta foi apresentada poucos meses antes de uma nova reunião da CITES, prevista para o mês de Novembro no Panamá, explica uma notícia do The Guardian. Em causa está a passagem destes mamíferos semi-aquáticos para o grau de protecção mais alto da convenção, que impedirá que continuem a ser legalmente caçados para a venda de troféus ou do marfim dos dentes.

Desde 2006 que os hipopótamos passaram a ser classificados como uma espécie Vulnerável à extinção pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Além de ameaçados pela caça, estes animais têm sido afectados pela destruição dos seus habitats, nas zonas de lagos e rios abaixo do deserto do Saara, e ainda pelos efeitos do aquecimento global. Em 2016, estimava-se que existissem entre 115.000 a 130.000 hipopótamos em 38 países africanos, mas a espécie estava em declínio ou com uma tendência desconhecida em 25 desses países.

Estes animais são “particularmente vulneráveis” à sobre-exploração – indica a proposta apresentada – devido ao facto de terem um período de gestação de oito meses no total, com apenas uma cria de anos em anos, e a maturidade sexual das fêmeas acontecer aos 9 ou 10 anos.

Estima-se que um mínimo de 13.909 partes e produtos originados em hipopótamos foram comercializados entre 2009 e 2018, com a Tanzânia, o Uganda e a Zâmbia como os principais exportadores.

Actualmente, a caça destes animais com fins comerciais já é proibida a nível nacional em 14 dos países da sua área de distribuição, incluindo Angola e a Guiné-Bissau, sendo necessária licença nos restantes locais onde estes animais estão presentes, como é o caso em Moçambique. No entanto, há provas de caça e tráfico ilegais em paralelo com aqueles que são autorizados.

O próximo passo vai ser a apreciação da proposta pelo secretariado da CITES, que avaliará se a situação da espécie corresponde aos critérios para a sua inclusão no anexo I – onde estão hoje cerca de 1.500 espécies – e produzirá um parecer. Se tudo for aprovado, deverá ainda continuar a ser permitido que os hipopótamos sejam caçados para consumo da carne a nível local.

 


Saiba mais.

Recorde um estudo que incluiu um cientista português, que descobriu que os hipopótamos reconhecem as vozes dos “amigos”. E ouça os sons destes animais.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.