Foto: Marcello Consolo/Wiki Commons

Projecto Cigarras de Portugal recebeu mais de 100 sons em três meses

Ciência Cidadã

Os resultados da primeira campanha de ciência cidadã lançada pelo projecto Cigarras de Portugal foram divulgados esta semana, num encontro em Lisboa.

O objectivo desta iniciativa, que decorreu entre 1 de Junho e 30 de Setembro, era aumentar o conhecimento dos cientistas e da população em geral sobre as 13 espécies de cigarras com presença confirmada em Portugal, em 2004.

Assim, quem ouvisse uma cigarra a cantar podia gravá-la e enviar o registo à equipa do projecto, ligada à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), juntamente com o local onde tinha sido ouvido. São as diferenças nos sons que estes insectos cantores emitem, quando os machos procuram atrair as fêmeas, que ajudam a identificar as espécies.

Cigarra da espécie Cicada orni. Foto: Marcello Consolo/Wiki Commons

Até ao dia 30 de Agosto, a equipa tinha recebido 102 registos de cigarras, revelam os números divulgados num poster científico esta quinta-feira, durante o 2º Encontro Nacional de Ciência Cidadã.

Mais de metade dos sons gravados recebidos pela página do projecto no Facebook e por outros meios eram da espécie Cicada orni, 56% do total, e outros 34% de Cicada barbara. Esse “enviesamento nas espécies registadas” foi uma das limitações reconhecidas pela equipa: os registos foram dominados pelas “duas espécies mais comuns e audíveis”. Outras cinco espécies foram também enviadas por quem participou nesta iniciativa.

Quanto aos locais de origem das 102 gravações recebidas, quase metade foram obtidas nos distritos de Lisboa e Setúbal, seguidas pela região Centro e em terceiro lugar pelo Algarve. Da região Norte, chegaram apenas três.

Também aqui terá ocorrido um “enviesamento geográfico e temporal nos registos, mais frequente no período de férias e zonas urbanas do litoral”, admite a equipa do projecto, liderada por Paula Simões, professora auxiliar na FCUL e investigadora do cE3c-Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, e por Vera Nunes, também investigadora no cE3c.

Por outro lado, o lançamento desta primeira campanha de ciência cidadã, que decorreu no Facebook e foi divulgada na comunicação social, “resultou num incremento significativo do número de observadores e de registos de cigarras identificadas ao nível da espécie, face aos anos anteriores”, notam.

Para que vai servir?

Os dados recolhidos poderão ser agora usados, adiantam, para “acelerar o mapeamento das populações de cigarras” e “descobrir novas populações e estabelecer locais de interesse para monitorização”, mas também para “registar alterações aos limites de distribuição (expansão/contracção) e investigar as suas causas” e “modelar as necessidades ecológicas e o impacto de alterações no habitat nas cigarras.”

Quanto ao Verão do próximo ano, para quando está prevista uma nova campanha, a equipa quer realizar mais workshops de formação gratuitos, à semelhança dos dois que se realizaram em 2019.

Outros desafios: “Dirigir a campanha para espécies e áreas geográficas específicas”, tal como “reforçar a informação científica acessível digitalmente para cada espécie”, explicam.

Em cima da mesa está também o eventual alargamento dos censos de cigarras a Espanha e a outras espécies de insectos cantores durante o Verão, como é o caso dos grilos e dos gafanhotos, que muitas vezes são confundidos com as primeiras.


Saiba mais.

Comece já a preparar-se para o próximo Verão aprendendo mais sobre o canto das cigarras, aqui e aqui.

E acompanhe o projecto Os Sons do Verão, no portal FonoZoo.