Sete raias apanhadas em redes de pesca foram agora devolvidas ao mar em Peniche

Raia-pontuada. Foto: Citron /Wiki Commons

Os animais foram libertados depois de um período de cativeiro nas instalações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para avaliar a taxa de sobrevivência quando são apanhados em redes de tresmalho.

A devolução ao habitat natural aconteceu dia 15 de Outubro e foi a primeira acção deste género realizada com raias capturadas pela pesca comercial e mantidas em cativeiro, informa o IPMA numa nota publicada no site. A iniciativa está ligada às experiências de sobrevivência do Projeto PP-Centro (Projecto da Pequena Pesca na Costa Ocidental Portuguesa), em colaboração com o centro de mergulho JustDive – Blue Academy de Peniche.

Devolução das raias à natureza. Foto: Projecto PP Centro

Este projecto liderado pelo IPMA envolve, entre diversas medidas, a caracterização da biodiversidade em zonas costeiras – incluindo as que são capturadas pela indústria pesqueira, incluindo as que são alvo de capturas acidentais. Entre as sete raias libertadas no mar de Peniche, contam-se quatro raias-pontuadas (Raja brachyura) e três raias-manchadas (Raja montagui), com comprimentos que variam entre 50 e 53 centímetros. O tamanho mínimo de desembarque permitido para estes animais, quando são capturados, é de 52 centímetros. 

Raia-pontuada (Foto: Citron /Wiki Commons

Estas raias tinham sido capturadas “com redes de tresmalho durante a faina normal de embarcações da frota artesanal a operar em Peniche”, informa o instituto, que acrescenta que foram mantidos em cativeiro nas instalações do IPMA em Peniche. “Para se avaliar a respetiva taxa de sobrevivência a curto prazo, procedeu-se à monitorização do estado de saúde dos exemplares por um período que variou entre três semanas a sete meses.” 

O local onde foram libertadas junto à ilha da Berlenga, a uma profundidade de 10 a 12 metros, tem um fundo de areia grossa e de rocha, e foi escolhido por estar próximo do local onde os animais tinham sido capturados pela frota de pesca comercial.

As raias agora libertadas no mar vão ser também avaliadas quanto à sua capacidade de avaliação a longo prazo, pelo que foram marcadas com ‘spaghetti tags’, do projeto DELASMOP da Universidade do Algarve/IPMA. Se estes animais forem mais tarde pescados ou de outra forma encontrados, as ‘spaghetti tags’ são marcas numeradas que permitem aos investigadores identificar esses animais e ligá-los ao projecto, que tem como objectivo promover a conservação dos elasmobrânquios (raias e tubarões) de profundidade.

Raia-manchada. Foto: Elch33/Wiki Commons

“As experiências de avaliação da sobrevivência de espécies visam a obtenção de evidência científica para a posterior avaliação de potencial derrogação à obrigação de desembarque dessas espécies no âmbito da Política Comum de Pescas”.

De acordo com o IPMA, “os resultados já obtidos evidenciam uma sobrevivência elevada de raia-pontuada e de raia-manchada à captura por tresmalho, com posterior devolução ao mar”.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa dos meus pais. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.