Diatomácea. Foto: Alexandra Duarte Silva

Cinco coisas que ficámos a saber sobre as microalgas do fitoplâncton (e como são importantes)

Estas algas microscópicas estudadas pelo projecto de ciência cidadã FitoAvista, visíveis na espuma e nas cores do mar, são imprescindíveis para a vida no mar e na terra. Saiba porquê.

1. Dividem-se em 200.000 espécies diferentes

Alexandra Duarte Silva, ligada ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera e coordenadora do projecto de ciência cidadã FitoAvista, que foi agora lançado, confessa-se fascinada com a diversidade das microalgas que compõem o fitoplâncton.

Ao todo são cerca de 200.000 espécies unicelulares que passam despercebidas ao olho humano e só são observáveis ao microscópio, e cuja parte visível são as espumas e colorações diferentes (vermelhas, laranjas ou castanhas por exemplo) da água do oceano. E isso só se acontece porque nestes casos aglomeram-se em enormes quantidades, adianta esta especialista. As diatomáceas, com cerca de 20.000 espécies, e os dinoflagelados, com 2000, são os principais grupos destes organismos, e “estão normalmente associados a eventos de espumas, eutrofização ou tóxicos”. São aliás o foco do FitoAvista.

2. Têm inúmeras formas

Diatomácea. Foto: Alexandra Duarte Silva
Diatomáceas. Fotos: Alexandra Duarte Silva

Estes seres microscópicos têm uma grande diversidade de formatos, visíveis apenas ao microscópio. “Círculos, estrelas, quadrados, triângulos”, exemplifica Alexandra Duarte Silva. E também se movem, por vezes.

3. Alimentam as sardinhas e os bebés de outros peixes

Cardume de sardinhas. Foto: TANAKA Juuyoh/Wiki Commons

Quando no Verão as sardinhas estão mais gordas, esse fenómeno deve-se à existência de fitoplâncton em grandes quantidades nas águas do mar, uma vez que estes peixes dependem das microalgas marinhas para se alimentarem, explica a especialista do IPMA. Estas plantas microscópicas são também indispensáveis para outras espécies comerciais de peixe, pois servem de alimento exclusivo para esses bebés, ainda na fase larvar, descreve.

4. Produzem grandes quantidades de oxigénio

Tal como as plantas na superfície terrestre, também as microalgas realizam a fotossíntese, absorvendo dióxido de carbono e fabricando oxigénio. No entanto, graças ao fitoplâncton, o oceano é responsável pelo fabrico de 50 a 70% do oxigénio presente no planeta, sendo uma parte deste também consumida pelos animais marinhos.

5. Servem como sinal de alterações ambientais

Concentração de espumas do mar em Vila Nova de Gaia. Foto: Maria Lobo

Como está associada à agitação marítima e ao vento, a presença de grandes concentrações de fitoplâncton, reflectidas em espumas no mar por exemplo, serve também como possível sinal da ocorrência de eventos meteorológicos extremos associados às alterações climáticas. Por outro lado, “uma vez que se deixam transportar pelas correntes, [estas microalgas] são um indicador das condições oceanográficas e meteorológicas presentes num local, e consequentemente um indicador de alterações ambientais”, completa a coordenadora do FitoAvista.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.