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Como ter um jardim num apartamento: plantas aromáticas?

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Na série “Abra espaço para a natureza”, Carine Azevedo responde às dúvidas que temos quando pensamos em tornar um espaço mais amigo do mundo natural.

Viver num apartamento não significa que não se possa ter um jardim. Projetar um espaço verde na varanda ou no terraço garante um espaço mais fresco, com o ar mais puro e com um toque de natureza que deixa qualquer ambiente mais aconchegante e agradável.

Como muitas plantas aromáticas se desenvolvem bem em vasos é possível, com os devidos cuidados, ter um belo e perfumado jardim na varanda, mesmo que o espaço seja pouco. Basta ter luminosidade e criatividade.

Porquê um jardim de plantas aromáticas?

Quando pensamos num jardim, vem-nos logo à ideia as árvores e os arbustos, mas um jardim é mais do que isso. Se o espaço disponível é pequeno para qualquer uma destas opções, não desista, existem várias soluções. Cultivar plantas aromáticas pode ser uma alternativa interessante, fácil de projetar e de manter.

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Algumas destas plantas podem atingir porte arbóreo ou arbustivo, mas existem muitas opções que não vão além de pequenas ervas. Basta avaliar o espaço disponível e escolher as que melhor se adequam.

As plantas aromáticas, além de adicionar cor e perfume à varanda ou ao terraço, permitirão desfrutar de aromas e sabores frescos na cozinha, para dar gosto às mais diversas receitas, como também para preparar saborosas infusões.

A diversidade de formas, de cores, de folhas e de flores, e as épocas de floração prolongadas e por vezes desfasadas destas plantas, permitirão ter um jardim em “transformação” ao longo de todo o ano.

Na generalidade, as plantas aromáticas precisam apenas de um lugar arejado, com muita exposição solar, embora com poucas horas de sol direto, e um solo solto e poroso. É importante manter o solo húmido, mas não excessivamente. Para isso, deverá regar com regularidade, com pouca água, sem encharcar e sem molhar as folhas, e preferencialmente ao início da manhã. No Inverno com certeza precisará de regar menos, enquanto no Verão as necessidades de água serão maiores.

Plantar ou semear?

Muitas destas plantas são fáceis de encontrar num horto ou centro de jardinagem, mas também as pode semear.

Se optar por plantas em vaso, antes de as mudar do vaso original para o novo, deixe-as durante cerca de uma semana no local onde pretende que fiquem futuramente, para que se adaptem. Passado esse período, se verificar que a planta não sofreu com a nova localização, pode transplantá-la.

Tenha o cuidado de não escolher um vaso muito maior do que aquele em que está, a não ser que opte por colocar várias plantas no mesmo vaso. Neste caso, junte as que exigem condições semelhantes.

Se escolher fazer sementeira, basta espalhar as sementes sobre o substrato, previamente humedecido, e deixar que a natureza faça o resto. No entanto, não se esqueça de regar regularmente. Uma rega homogénea e regular é essencial para garantir que as sementes germinem. Pode optar por utilizar um borrifador duas a três vezes ao dia, para evitar que o substrato fique exageradamente encharcado e que as sementes fiquem a boiar.

Plantas perenes, anuais, nativas ou exóticas?

É também importante ter em consideração que muitas destas plantas são plantas perenes, que se mantêm durante todo o ano, como é o caso do cebolinho, do louro, do alecrim e do rosmaninho. Mas existem espécies que têm de ser semeadas ou replantadas todos os anos, uma vez que o seu ciclo de vida é anual, nomeadamente a salsa, os coentros, o manjericão, ou a camomila, por exemplo.

Salsa. Foto: Pixabay

Muitas destas plantas, com características aromáticas, são espécies nativas, mais resistentes e bem-adaptadas. Além disso, são bastante atrativas e benéficas para os polinizadores.

Umas são mais aptas à utilização culinária, outras são mais decorativas. De entre as ervas aromáticas nativas mais comuns e fáceis de cultivar em vasos, destacam-se:

Alecrim (Salvia rosmarinus)

– Camomila (Matricaria chamomilla)

Carvalhinha (Teucrium chamaedrys)

– Cebolinho (Allium schoenoprasum)

Erva-cidreira (Melissa officinalis)

– Funcho (Foeniculum vulgare)

– Hortelã-mourisca (Mentha aquatica)

– Marcetão (Santolina rosmarinifolia)

– Orégãos (Origanum vulgare)

Perpétua-das-areias (Helichrysum italicum subsp. picardi)

Poejo (Mentha pulegium)

Rosmaninho (Lavandula stoechas)

Salicórnia (Salicornia ramosissima)

De entre as espécies exóticas, as mais comuns são:

– Calendula (Calendula officinalis)

– Coentro (Coriandrum sativum)

– Erva-príncipe (Cymbopogon citratus)

– Hortelã-pimenta (Mentha piperita)

– Limonete (Aloysia citrodora)

– Manjericão (Ocimum basilicum)

– Manjerona (Origanum majorana)

– Tomilho-comum (Thymus vulgaris)

– Tomilho-limão (Thymus × citriodorus)

– Salsa (Petroselinum crispum)

– Sálvia (Salvia officinalis)

– Santolina (Santolina chamaecyparissus)

Combinar plantas aromáticas em vasos

Dependendo do espaço disponível e do número de plantas diferentes que escolher, tenha em consideração que o perfume das plantas terá o maior impacto se criar pequenos grupos individuais de cada uma das espécies, respeitando alguma distância entre estas, para que os aromas não se sobreponham uns aos outros.

Algumas das combinações mais comuns são:

– Rosmaninho (Lavandula stoechas) e alecrim (Salvia rosmarinus)

– Alecrim (Salvia rosmarinus), tomilho-comum (Thymus vulgaris) e sálvia (Salvia officinalis)

– Hortelã-pimenta (Mentha piperita) e manjericão (Ocimum basilicum)

– Orégãos (Origanum vulgare) e sálvia (Salvia officinalis)

– Cebolinho (Allium schoenoprasum) e tomilho-comum (Thymus vulgaris)

– Hortelã-pimenta (Mentha piperita) e erva-cidreira (Melissa officinalis)

– Manjericão (Ocimum basilicum), salsa (Petroselinum crispum) e cebolinho (Allium schoenoprasum)

Como as ervas aromáticas se desenvolvem melhor se forem colhidas regularmente, a sua utilização na cozinha é um extra delicioso. Para além de manter as plantas saudáveis, adicionam outros aromas e sabores aos seus cozinhados.

Os vasos

Escolhidas as plantas, é importante escolher bem os vasos. Existem vasos de diversos materiais, que variam na forma, tamanho, cor e até no peso.

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Independentemente do tipo de material de que são feitos, os vasos são muito versáteis, pois permitem a mobilidade das plantas quando se verifica que as condições do local não são as mais favoráveis ao seu desenvolvimento.

A escolha do local para colocar um vaso deve ser feita a pensar nas necessidades da planta que está dentro dele, pois luz insuficiente pode limitar o desenvolvimento das plantas e até enfraquecer o seu crescimento. Já o excesso de luz pode provocar queimaduras nas folhas, por exemplo.

Vasos de cerâmica

Os vasos de cerâmica, também conhecidos como vasos de barro ou vasos de terracota, garantem a temperatura e humidade ideais para a planta, já que criam condições de desenvolvimento das raízes, muito próximas ao que seria se a planta estivesse plantada diretamente no solo. Estes vasos ajudam a mitigar as mudanças de temperatura que podem prejudicar as raízes das plantas.

No entanto, a sua escolha implica alguns cuidados particulares, nomeadamente, a rega. Devido à elevada porosidade, estes vasos tendem a permitir que a água evapore mais rapidamente, o que pode implicar regar as plantas com mais frequência.

Os vasos de cerâmica são mais pesados e dependendo do seu tamanho, podem ser mais difíceis de movimentar de um local para o outro. Por outro lado, o peso pode ser uma grande vantagem já que os torna mais estáveis, difíceis de tombar.

Vasos de plástico

Os vasos de plástico são outra opção. Estes vasos são, na verdade, feitos em PVC, resina sintética ou polietileno. São geralmente mais baratos, resistentes e leves.

O plástico não é um material poroso, o que pode fazer com que retenha água em excesso, sobretudo durante a estação mais húmida, o que pode prejudicar o desenvolvimento das raízes, sobretudo de plantas mais sensíveis. Por outro lado, a falta de porosidade limita também o movimento do ar dentro do vaso, o que pode aumentar o aquecimento das raízes, o que poderá ser igualmente prejudicial, sobretudo no verão.

Para favorecer a circulação de ar e a drenagem da água em excesso, é fundamental garantir que estes vasos tenham orifícios de drenagem no fundo, para permitir a saída da água em excesso.

Vasos de madeira

A madeira é outra excelente alternativa já que é um material natural, nobre e durável, embora, os vasos de madeira sejam mais usados como decorativos, para esconder vasos visualmente mais feios.

Ainda que a madeira seja de elevada qualidade e resistente, a sua utilização para esse fim, implica uma manutenção e conservação mais exigente, já que se trata de um material que se danifica mais rapidamente, sobretudo quando está em contacto direto com a água.

Além destes, existem ainda outras opções, como os vasos de metal, cimento, pedra e vidro, na sua maioria mais resistentes, duráveis e pesados.

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Felizmente, existem muitas plantas aromáticas que não necessitam de muito espaço para crescer. Certifique-se apenas que os vasos que escolher têm um tamanho adequado à quantidade de plantas que pretende plantar ou semear.

Estas opções de vasos aplicam-se às plantas aromáticas, mas também poderão servir a outras plantas de que irei falar mais à frente noutros artigos.

Como podem ver, ter um jardim perfumado o ano inteiro, mesmo num apartamento, não é difícil. Basta saber o que plantar e como.

Em breve explicarei como criar jardins em apartamentos com outros tipos de plantas, mas até lá podem partilhar as fotos dos vossos jardins temáticos nas redes sociais com #jardimtemático e comigo no Instagram @biodiversityinportuguese e no Instagram da Wilder @wilder_mag.


Todas as semanas, durante mais de dois anos, Carine Azevedo deu-lhe a conhecer novas plantas para descobrir em Portugal. Encontre aqui todos os artigos desta autora.

Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Para acções de consultoria, pode contactá-la no mail [email protected]. E pode segui-la também no Instagram.