Águia-pesqueira. Foto: John Mosesso/National Biological Information Infrastructure

No dia 22 de Janeiro, conte as águias-pesqueiras de Portugal

A quinta edição do censo nacional de águias-pesqueiras invernantes realiza-se num sábado. A Wilder falou com a organização e conta-lhe o que está em causa.

Tal como nas duas últimas edições, em 2017 e 2019, as contagens de águia-pesqueira (Pandion haliaetus)vão fazer-se também em Espanha, no mesmo dia, para assim ser possível avaliar melhor a situação da espécie em toda a Península Ibérica.

A participação é voluntária e está aberta a todos os interessados. Para se participar, basta saber identificar bem a águia-pesqueira, “uma grande ave de rapina que à distância parece preta e branca”, descreve o portal Aves de Portugal. No território nacional costuma estar presente de Setembro a Abril e é considerada pouco comum, embora com presença regular nalguns locais.

Águia-pesqueira. Foto: Bernd Lindner/Pixabay

“Este censo é a prova de que os observadores de aves, os fotógrafos e os ornitólogos podem todos dar um contributo muito relevante para aumentar o conhecimento sobre as nossas aves selvagens”, disse à Wilder um dos organizadores destas contagens, Gonçalo Elias.

Contas feitas, os resultados do último censo realizado em Janeiro de 2019 – era para se ter repetido em 2021 mas foi adiado devido à pandemia – somaram entre 175 a 196 águias-pesqueiras. O intervalo nos números serve para acautelar a possibilidade de se contarem as mesmas aves mais do que uma vez.

O que já se sabe

E graças aos censos dos últimos anos, foi possível ficar a saber que há cinco áreas principais de invernada para a espécie: “Quatro são em zonas húmidas costeiras (Ria de Aveiro, Estuário do Tejo, Estuário do Sado e Ria Formosa) e uma é mais para o Interior (vale do Tejo entre Abrantes e Vila Franca de Xira).” Nestas zonas concentra-se cerca de 80% da população que vem para Portugal passar os meses mais frios.

Grande plano de uma águia-pesqueira. Foto: CERVAS

Já as restantes águias-pesqueiras “distribuem-se essencialmente por pequenos estuários, lagoas costeiras e por algumas albufeiras no Interior Alentejano”, acrescentou o mesmo responsável, coordenador do portal Aves de Portugal.

A equipa organizadora do censo adianta que estas contagens forneceram até agora um “panorama bastante completo”, sabendo-se que a população invernante não está ameaçada. O principal objectivo desta e das próximas edições será tentar confirmar se a situação “se mantém estável, tanto a nível nacional como nos diversos locais de invernada”.

Procuram-se voluntários para o Estuário do Sado

Nas quatro edições anteriores participaram cerca de 150 pessoas, “que visitaram zonas húmidas em todo o país”. Este ano já estão inscritos “algumas dezenas” de voluntários, mas falta ainda fazer alguns contactos, adiantou Gonçalo Elias.

Aliás, algumas zonas do país precisam de mais participantes para as contagens, como é o caso do Estuário do Sado – uma das áreas que habitualmente têm mais dificuldade de cobertura. “Apesar de ser uma área muito importante para a invernada desta espécie nem sempre consegue atrair observadores, em especial para a margem sul, que é mais distante”, explicou o ornitólogo. “Aproveitamos para lançar o apelo a todos os que possam dar uma ajuda nesta importante zona húmida.”

Até 1997, Portugal teve também uma população nativa de águia-pesqueira que se reproduzia regularmente na zona de Aljezur, na Costa Vicentina. Nos últimos anos registou-se o estabelecimento de um a dois casais na Albufeira de Alqueva, graças a um programa de reprodução iniciado em 2015.


Agora é a sua vez.

Está interessado em colaborar no censo de águia-pesqueira, tanto no estuário do Sado como noutras áreas do país? Envie um email para geral@avesdeportugal.pt.

Recorde também quais são os melhores locais e dicas para identificar a águia-pesqueira.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.